Crime em Sapé: marido levou tiro na cabeça e corpo de delito de empresária pode contradizer legítima defesa

O empresário Helton Pessoa assassinado supostamente pela sua esposa, a empresária Taciana Ribeiro Coutinho, no último dia 10, também foi atingido com um tiro na região da cabeça, conforme o laudo da Polícia Civil – que foi divulgado pela defesa da família dele. O laudo tanatoscópico, assinado pela perita Luciana Trindade, apontou que no corpo existiam quatro ferimentos resultantes de projéteis de arma de fogo, um deles na “temporal direita (junto ao pólo superior da orelha)”. Ele também apresentava perfurações por tiros na região das pernas, como já havia sido divulgado pela polícia. Além disso, exame de corpo de delito da empresária pode contradizer versões sobre legítima defesa.

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Além da temporal direita (região da cabeça), existiam perfurações na coxa direita, coxa esquerda e joelho esquerdo. Dois tiros foram transfixantes. Os disparos, executados de longa distância, apresentaram, segundo laudo, saída na região do glúteo esquerdo e no joelho esquerdo. Também havia ferimentos em diversas partes do corpo.

A “inspeção interna: cavidade craniana” do laudo aponta o seguinte: “02 fraturas orificiais em temporal (consistentes aos consecutivos ferimentos de entrada – mais superior – e saída – mais inferior – de projétil de arma de fogo”. O que ratifica que um dos disparos atingiu a região da cabeça de Helton.

A perita odonto legal também confirma a lesão na cabeça de Helton. “Ferimento contuso em formato conóide sangrante semelhante àqueles provocados pela entrada de projétil de arma de fogo localizado no terço superior da região pré-auricular a direita”, descreve a perita Cristiane Barbosa Freire.

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Apesar da lesão na cabeça, a perita faz uma observação. “A ausência de comprometimento encefálico, no caso em tela, permite à perita concluir que a lesão da cabeça não foi fatal”, versa em trecho do laudo.

Como já foi trazido pelo Paraíba Já com exclusividade, a causa da morte do empresário foi anemia aguda, lesões vasculares e ósseas, ferimentos de membros inferiores e cabeça, ocasionados por projéteis de arma de fogo.

Corpo de delito da empresária

Conforme laudo de Taciana, assinado pela perita Luciana Trindade e pela perita odonto legal Cláudia Rocha, não houve perigo de vida, nem elemento que resultasse em deformidade permanente. O que pode afastar a tese de graves agressões e, outra bastante difundida nas redes sociais, de que a empresária teve os dentes quebrados. O laudo aponta que houve ferimento e também ação contundente.

Em detalhes, o exame médico legal em Taciana mostrou duas equimoses – termo médico para hematoma comum – lineares, com cerca de 1,2 cm, em fúrcula esternal e uma equimose arroxeada, com cerca de 2cm. Mostra ainda uma bossa com cerca de 6 x 5 x 2,5 cm em região centro-parietal. O exame odonto legal, aponta que a empresária apresentou uma equimose arroxeada, com cerca de 2 cm, acometendo a cauda das pálpebras superior e inferior esquerda e o angulo externo do globo ocular esquerdo.

“O exame de corpo de delito feito na empresária revela, apenas, lesões leves, que podem ser fruto de várias situações distintas, inclusive autoinfligidas, desmentindo a narrativa de que ela havia sido vítima de violência e fortemente agredida”, afirmou o advogado da família da vítima, Daniel Alisson.

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Conforme a defesa, o exame cadavérico feito no corpo de Helton revela os requintes de crueldade do crime.

“O exame aponta que Helton foi subjugado e friamente executado por sua esposa, sendo vítima de um disparo na cabeça próximo a orelha direita e outros três disparos na região dos membros inferiores, sofrendo ao todo quatro disparos de arma de fogo, não resistindo aos ferimentos e morrendo no local sem atendimento médico”, disse Daniel.

“Não há vestígios”

Ainda segundo os laudos, de acordo com o advogado, “os disparos foram efetuados de longa distância, quando a vítima se encontrava tomando banho e não há vestígio nas unhas, mãos e em nenhuma parte do corpo de Helton”. Diante disso, o advogado afirma que isso “põe abaixo a versão da empresária de que teria agido em legítima defesa”.

Daniel Alisson também sustenta que “apesar da barbaridade do caso a empresária Taciana Ribeiro segue cumprindo prisão domiciliar”.

Confira laudo na íntegra

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