Caderneta de poupança no Brasil passa a causar prejuízo ao investidor

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou mais um corte de meio ponto percentual na Selic. A taxa que iniciou o ano em 6,5%, encerra 2019 em 4,5%. Com os recentes cortes, os investimentos de renda fixa, como a caderneta de poupança, têm seus rendimentos comprometidos. Como explica Fabrizio Gueratto, financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira.

“Quando a Selic está abaixo de 8,5% a poupança sempre vai render 70% desse valor + a Taxa Referencial, que hoje é zero. Dessa forma, agora o seu rendimento anual é de 3,15%. Se você for comparar com a inflação acumulada dos últimos doze meses, que é de 3,27%, o seu dinheiro vai render menos do que os preços aumentam. É o fim da caderneta de poupança. O brasileiro precisa se mexer para buscar novos investimentos e em breve irá impactar também os CDBs com liquidez diária”, comentou o especialista.

Com os cortes recentes, o CDI está agora em 4,4%, o que segundo Gueratto, também deve afetar os investimentos com rendimento baseado no CDI, que hoje costumam ser um pouco mais vantajosos, já que rendem 100% da taxa.

“Considerando essa mesma inflação, em breve, se a taxa Selic continuar caindo, alguns investimentos que rendem 100% do CDI também perderão para a inflação. Hoje CDBs que rendem 90% da taxa DI, fáceis de encontrar nos grandes bancos, já empatam com a inflação, quer dizer, têm ‘ganho real’ igual a zero”, afirma. O Financista pontua que o investidor que deseja maior rentabilidade, precisará sair da zona de conforto e arriscar mais. “Agora, a grande maioria dos brasileiros que investem serão obrigados a se movimentar para buscar outras opções, isso se não quiserem perder dinheiro”.

Hoje, a caderneta de poupança no Brasil conta com R$ 825 bilhões aplicados. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), pelo menos 66% das pessoas que guardam dinheiro o fazem na caderneta de poupança. Gueratto ainda explicou melhor sobre como a inflação pode corroer os ganhos.

“Vamos supor que você tenha R$ 2 mil guardados na poupança por um ano e agora quer comprar um celular de mesmo valor. No cenário atual da poupança, você não conseguiria comprar esse celular, pois os seus R$ 2 mil, valeriam R$ 2.057,83 em um ano, mas o preço do celular passaria para R$ 2.072,00, se levarmos em consideração a inflação atual”, observou Gueratto. “São mais de R$ 820 bilhões ‘investidos’ na poupança, que serão ‘comidos’ pela inflação. O brasileiro que estiver neste investimento ficará mais pobre”, completou.

O financista alerta que é importante a compreensão do investidor sobre o prejuízo, e que não é uma simples questão de não render muito. “Não é uma questão de ganhar mais, mas de deixar de perder dinheiro”, disse.

Sobre 1Bilhão Educação Financeira

O canal 1Bilhão leva educação financeira em uma linguagem simples, resumida e disruptiva, para que o investidor aprenda a acumular riquezas, preservar o poder de compra e aumentar a sua rentabilidade com investimentos com alta expectativa de retorno.

Fundado pelo jornalista, escritor e palestrante Fabrizio Gueratto, eleito em 2018 com um dos mil paulistanos mais influentes e que atua a mais de 12 anos no mercado informações financeiras. Tem como mascote o Golden Retriever Troy Bilhão, o primeiro Cãoducador Financeiro, um dos cachorros mais ativistas da internet.

O canal tem como o slogan “investimento não é cassino” e foca em desconstruir na cabeça do brasileiro a ideia de que é preciso acertar sempre o investimento da moda. O planejamento patrimonial de qualquer pessoa, independente da sua classe social deve começar ainda na infância e continuar até o final da vida. Além disso, o conteúdo também revela as pegadinhas que existem dentro do mercado financeiro e como desviar delas.

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