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Quotidiano

“Era o fim, é o fim, mas o fim é demais também”

Coluna "Quotidiano" reflete sobre perdas, partidas e o adeus que muitas vezes não pudemos dar

São seis dias. As horas se arrastam como se fossem eternas. Tanta coisa para dizer, quantas alegrias para compartilhar, quantas dores para desabafar. Este é o começo do fim? “Era o fim, é o fim, mas o fim é demais também” foi o que ouvi em Odeio, do Caetano Veloso (depois ouça o álbum Cê, muito bom).

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Mas não estás mais aqui. É irreversível. Você sorriu e brincou quando me disse ironicamente que aquele nosso encontro seria uma despedida. Eu sorri, em pânico, e como resposta disse o óbvio: por mim, a partida não seria minha.

Não estás. Um mundo sem você é triste. Aquele emoji da rosa no WhatsApp, lembra? Só conseguia enviar para você. Era uma forma imagética de ofertar tudo de lindo para o seu dia, de dizer que só de pensar em você tornava meus dias tão leves e que eras a cura para boa parte de minhas doenças.

É irreversível, não estás. Você partiu e nem me avisou. Não me deu um beijo de despedida nem aquele abraço que eu encontrava toda a paz do mundo inteirinho. Eu estou, feito um mulambo, questionando sua ausência e as causas dela.

Neste momento olho o mar.  Esse desespero (grito) enxerga esse oceano como libertação. Me atiro. Me afogo num mar de lágrimas em mais uma noite insone.

Sinto uma vontade imensa de aliviar essa dor absurda que é esta saudade… principalmente das coisas que não tive tempo de viver contigo. Lembra que eu sempre disse que queria uma crônica? Ela me acalentaria hoje.

Sinto saudades das coisas que tive. Você falava teoremas e eu, claro, não entendia nada, mas achava o máximo. Tudo em você era lindo. É como aquela canção, da qual não gostas: “explica tudo, sem brigas e clareia o mais escuro dos dias”.

Você não está. A indisponibilidade que volta e meia provocava em mim sensações que nunca antes havia sentido, que me fazia tão feliz e era um dos poucos espaços em que eu poderia ser simplesmente eu se tornou intangível.

Você não está. Ouvi um dia um poeta dizer que ainda dava tempo de reduzir a velocidade dos abismos. Tatuei em minha pele por convicção. Esqueci de ter método. Como reduzir o impacto de seu desaparecimento? Como reduzir a distância? Infelizmente, não há rede social que nos aproxime.

São seis dias. Parecem seis anos. Uma vertigem, um buraco negro. A lembrança da felicidade. Talvez, para você, nem fui especial. Talvez nunca tenha me amado, nem me visto como amiga. Talvez apenas sofrível, moleca, até mesmo maluca. “Maluca”. Parece que ouço você articular cada fonema deste adjetivo, com todos os seus trejeitos. “Tudo bem se não deu certo, eu achei que nós chegamos tão perto, mas agora enxergo que no fim eu amei por nós dois” e tá tudo bem por isso.

Estou de luto. Você se foi, sem me avisar. Eu sei, é irreversível. Dói. Parte de mim morre junto.

Este é o começo do fim.

 

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Edilane Ferreira

Jornalista, radialista e utopista. Editora-chefe do Paraíba Já. Contato: [email protected]

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