“Testagem deve ser priorizada onde há pobreza”, diz diretor da OMS

Diretor do programa de emergências afirmou que pessoas que vivem em áreas com menor chance de isolamento devem ser priorizadas nos testes

O diretor do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta segunda-feira (4) que regiões onde há pobreza devem ser priorizadas na testagem de casos de Covid-19.

“Temos que assegurar que a vigilância pública e a testagem estejam acessíveis a todos aqueles que precisam”, respondeu Ryan, ao ser questionado em coletiva sobre as desigualdades sociais na pandemia. “E é muito importante que a testagem não seja vista como algo para os ricos e aqueles que podem pagar.”

Ele explicou que os testes não servem apenas para que um paciente específico receba um diagnóstico, mas, também, para saber onde o coronavírus está.

“Se as pessoas veem o propósito de testar em só receber o seu próprio diagnóstico, para poderem pagar por tratamento, então essa é uma distorção do propósito final de testar. A testagem é para duas coisas: uma é dar a oportunidade às pessoas com sintomas de serem testadas e cuidadas, mas também para ativar uma série de mecanismos para entender a transmissão do vírus”, declarou.

“Se o acesso aos testes for determinado por recursos, vai haver um entendimento muito enviesado de onde o vírus realmente está. E isso é muito perigoso”, lembrou Ryan.”É perigoso sob uma perspectiva de saúde pública. Não só é desigual, também é perigoso.”

“É muito importante que a testagem seja disponibilizada para aqueles que precisam. E, na verdade, em alguns casos, eu acredito que a testagem deveria estar mais disponível em áreas onde as pessoas não têm a oportunidade de se distanciar fisicamente, onde podem ter maiores taxas de infecção – e também podem ter maiores taxas de mortes, se forem infectadas”, afirmou.

Em São Paulo, dados da prefeitura já apontaram que o risco de morrer por Covid-19 é 10 vezes maior nos bairros com pior condição social. Outro levantamento também constatou que pretos (conforme identificação usada no IBGE) têm 62% mais de chance de morrer pela doença do que brancos na cidade.

“Nós vimos com populações vulneráveis, vimos com minorias étnicas, vimos com populações indígenas – que elas podem ter taxas de mortalidade maiores se forem infectadas, por causa de outras condições preexistentes de muito tempo. Se deveria haver alguma diferença, a testagem deveria ser priorizada em áreas onde há pessoas desprivilegiadas, onde há aglomerações, onde há pobreza”, disse Michael Ryan.

No Pará, o Ministério Público Federal alertou que a Covid-19 representa um risco de genocídio para a população indígena.

Do G1.

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