Em protesto contra fome, MST vai a mansão de Flávio Bolsonaro

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fizeram um protesto em frente à casa do senador Flávio Bolsonaro (Patriota), na manhã desta quinta-feira (30). A mansão fica no Lago Sul, uma região nobre de Brasília, a 14 km da Praça dos Três Poderes.

O grupo chegou por volta das 9h, com faixas, panelas vazias e caixas de som. Os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Fora Bolsonaro”. O g1 tenta contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro.

A mansão onde ocorre o protesto é avaliada em R$ 5,97 milhões e foi comprada pelo senador em março deste ano. O imóvel tem área total de 2,4 mil metros quadrados. A Polícia Militar acompanhou a manifestação, e não houve incidentes relacionados ao ato, que terminou por volta das 11h.

De acordo com o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, o objetivo é chamar a atenção para o aumento da fome no país.

“Enquanto o filho do Bolsonaro está comprando, de forma no mínimo duvidosa, uma mansão de mais de R$ 6 milhões, o povo brasileiro está na fila do osso, está voltando a cozinhar à lenha por causa do preço do botijão de gás”, diz Boulos.

O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) indica que, nos últimos meses de 2020, 19 milhões de brasileiros passaram fome e mais da metade dos domicílios no país enfrentou algum grau de insegurança alimentar.

A pesquisa estima que 116,8 milhões de pessoas conviveram com algum grau de insegurança alimentar no final de 2020 e 9% deles vivenciaram insegurança alimentar grave, isto é, passaram fome.

‘Rachadinhas’

O senador Flávio Bolsonaro é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe de uma organização criminosa que atuou em seu gabinete no período em que foi deputado da Assembleia Legislativa do estado (Alerj). Entre 2003 e 2018, ele cumpriu quatro mandatos parlamentares consecutivos.

Senador FLávio Bolsonaro (Patriota), durante sessão da CPI da Covid — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Senador FLávio Bolsonaro (Patriota), durante sessão da CPI da Covid — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

estimativa é que cerca de R$ 2,3 milhões tenham sido movimentados em um esquema de “rachadinha”, no qual funcionários do então deputado devolviam parte do salário que recebiam na Alerj. O dinheiro, segundo a investigação, era lavado com aplicação em uma loja de chocolates no Rio da qual o senador é sócio e em imóveis.

Em dezembro de 2019, a loja foi alvo de busca e apreensão na investigação sobre essas movimentações suspeitas por parte de ex-assessores, dentre eles o ex-policial militar Fabrício Queiroz.

Atualmente, a denúncia do MP do Rio contra Flávio Bolsonaro está paralisada por decisão individual do ministro João Otávio de Noronha, que atendeu um pedido da defesa de Fabrício Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro apontado como o operador financeiro do esquema das rachadinhas.

Do G1.