Bancos tradicionais vão sofrer com a aceleração digital, alerta publicitário Ruy Dantas

Os mercados financeiro e publicitário foram surpreendidos na últimas horas pela guerra de narrativas entre o Itaú e a XP Investimentos, acirrada pelo lançamento de  uma campanha do banco, criticando as corretoras de investimento e não poupando  a XP cujas cotas majoritárias pertencem ao próprio Itaú.

“Em 2020, invista com o Itaú Personnalité. Em 2021, você vai se agradecer por isso” é como termina dois dos filmes da campanha que anuncia o novo posicionamento para os serviços de consultoria de investimentos do Itaú Personnalité, que estreou no último dia 23.

No filme, o ator Marcos Vera, com pitadas de ironia e humor, interpreta um cliente de investimentos em 2019 e agora em 2020. No primeiro caso, exalta o fato de ter conta em uma corretora, porque “está na moda” ter um assessor que sugere vários investimentos sem riscos e diz se sentir “o rei de Wall Street”., entretanto, já olhando do ponto de vista de 2020 e com os efeitos da pandemia, diz ter percebido que não havia risco “para o corretor  que ganharia uma “comissão” por tipo de investimento, enfatizando no final da propaganda a seriedade dos profissionais do Personnalité.

Outro comercial do mesmo banco é protagonizado por alguns dos especialistas em investimentos do Personnalité, onde ressaltam que a carteira de investimentos é para o “cliente” ganhar, que sua remuneração não muda de acordo com essas opções e que seguem uma filosofia de não trabalhar nem com euforia, nem com pânico.

A própria XP Inc., corretora da qual o Itaú é acionista majoritário, mas com direito limitado de voto, se manifestou rapidamente. No LinkedIn, Guilherme Benchinol, CEO e fundador da XP, fez uma longa postagem, com o título “Resposta aos ataques do Itaú”, que começa desta forma:

“Estamos há 20 anos lutando contra um sistema financeiro concentrado que nunca inovou e nunca se preocupou com o que realmente importa: o cliente. Tenho certeza que os bancos preferem o Brasil do passado, com juros altos e baixa concorrência, explorando ainda mais os empresários e os investidores individuais.

Quem nunca recebeu uma oferta do seu banco com um cheque especial abusivo, um empréstimo com as mais altas taxas de juros do mundo, um “investimento” na caderneta de poupança, um título de capitalização desnecessário, um fundo com taxas exorbitantes, um consórcio para bater a meta do fim do mês e assim por diante?”

Em seguida, destaca o fato de contar com a atuação “ética” de sete mil assessores independentes que trabalham para trazer as melhores oportunidades aos investidores. Além disso, diz que a campanha do Itaú reforça que a XP está no caminho certo. “Para o maior banco do País, com mais de 90 anos de tradição, ir a público e ofender uma profissão tão fundamental para o desenvolvimento financeiro dos brasileiros, é porque realmente percebeu que não consegue mais competir colocando o cliente em primeiro lugar”, contra-atacou Benchimol, para quem algo que o banco não é nem nunca foi “ser feito para você”.

Finaliza prometendo seguir trabalhando para que os abusos dos bancos acabem e afirmando que o propósito da XP é transformar o mercado financeiro para melhorar a vida das pessoas.
Para Ruy Dantas, presidente da Abap, os grandes bancos, como são chamados os bancos tradicionais são os mais prejudicados nessa pandemia. Muitos ainda estavam investindo em agências físicas enquanto outros voavam nas plataformas digitais.

Estudos feitos recentemente apontam que os consumidores passaram a criticar muito os bancos tradicionais nas redes sociais. “Essa guerra do Itaú, é uma demonstração de que já existe um pesado incômodo no ar que não dá mais para disfarçar.

“Imagine a seguinte situação: sua empresa é muito reconhecida, tem uma marca de grande relevância no mercado e processos eficientes que resultam em produtos de qualidade.
> Mas, em um dos pontos de contato com o público, os atendentes não se esforçam para que os clientes tenham uma experiência única e personalizada, nem usam estratégias para manter o relacionamento no longo prazo. Foi isso que ocorreu com essas estruturas agora na pandemia. Elas não estavam prontas para atender  clientes virtualmente, percebendo isso de  forma gritante, pois seus filhos mantiveram  relacionamentos inalterados com plataforma como Nubank.. Estamos vivendo um fenômeno chamado “Inovação Permanente”.

A taxa de inovação que tínhamos no mundo pré-digital era uma e agora é outra, onde todas as atividades foram transferidas para códigos e esses vão sendo modificados, como por exemplo quando são atualizados os APP’s com funções que nem imaginávamos precisar. E essa lógica precisa ser compreendida pelos velhos bancos.

Do T5

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