Após susto do incêndio, comerciantes voltam a trabalhar no Parque do Povo

“É uma tristeza chegar aqui e ver isso tudo vazio”. O trecho faz parte do relato da comerciante Franceilda dos Santos, de 42 anos. O incêndio que destruiu totalmente 24 barracas e seis quiosques na noite do sábado (30), no Parque do Povo, aconteceu em frente ao local em que ela trabalha todas as noites durante o São João de Campina Grande. Ela viu o perigo de perto, mas neste domingo (1º), um dia após o acidente, o único cenário que os seus olhos viram foi o espaço para o recomeço.

No começo da noite do domingo, o Parque do Povo estava praticamente vazio. Durante a madrugada, uma equipe da prefeitura havia feito a limpeza da área. O único movimento foi o do automóvel de umas das equipes do serviço de iluminação pública da cidade, que fez os últimos ajustes na palhoça Zé Lagoa, já aberta ao público da festa.

Franceilda contou que as cenas que ficaram na memória são aterrorizantes. Gritaria, correria, botijões de gás explodindo, o fogo se alastrando e muito desespero.

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Luiz Pereira de Lima Filho, de 58 anos, perdeu tudo o que tinha. Apenas ele e mais um profissional, dos mais de 20 que tiveram barracas atingidas pelas chamas, quiseram voltar ao trabalho no dia seguinte. O barraqueiro trabalha no São João de Campina Grande desde o ano de 2009 e confessou que as imagens do incêndio foram as mais tristes que ele poderia guardar na lembrança.

O comerciante não segurou a emoção e chorou quando contou o que vivenciou. “Quando eu vi a correria, corri também. Freezer, dinheiro e documentos ficaram todos perdidos”, desabafou. Ele ainda disse que só conseguiu dormir porque foi medicado.

A garçonete que trabalha com ele também precisou de atendimento médico porque ficou em estado de choque. “Eu estou me sentindo péssimo, mas tenho que começar do zero”, disse o barraqueiro que retomou o trabalho com duas caixas de isopor e a coragem para superar o que aconteceu.

João de Assis Herculano de Luna, de 48 anos, trabalha como sorveteiro no Maior São João do Mundo há 15 anos. Ele que costuma adoçar o passeio de quem vai ao Parque do Povo, sentiu o amargo de ter o equipamento de trabalho danificado e o desespero de não poder ajudar aos amigos.

A barraca da tia de João estava em chamas, ele correu e rapidamente tirou o botijão de gás do local. Quando voltou foi informado por um bombeiro civil que, por medidas de segurança, não poderia mais ficar no local. Quando voltou, teve noção do prejuízo que estava em sua frente: máquina quebrada, potes de plástico derretidos e recipientes de vidro rachados.

Primeiros socorros após incêndio

A equipe que deu a primeira assistência para os comerciantes durante o incêndio foi a de uma empresa de bombeiros civis contratada pelo grupo que organiza o São João de Campina Grande, com objetivo de fazer em ações preventivas nos portões de emergência da festa junina. A diretora da empresa Olívia Medeiros, 52 anos, contou que tudo aconteceu em frente ao portão 11.

Um bombeiro civil informou aos demais sobre o princípio de incêndio e tentou apagar, junto com outros profissionais da equipe, as chamas que ainda eram pequenas, mas não conseguiu. Olívia conta que logo depois o Corpo de Bombeiros foi acionado e chegou no local após 15 minutos, quando as chamas já tinham se alastrado e atingido até a rede elétrica do Parque do Povo.

Nesse momento, o local já havia sido evacuado. Segundo ela, a água no local para apagar o fogo foi insuficiente e o hidrante, próximo às barracas, não tinha mangueira, mas os demais dispunham do equipamento.

Prejuízo financeiro

O presidente da Associação dos Comerciantes do Maior São João do Mundo, Lucinei Cavalcanti, informou que a única resposta que a categoria recebeu foi da Prefeitura Municipal de Campina Grande. Segundo ele, foi recebida a garantia de ajuda aos barraqueiros.

Na tarde do sábado uma equipe do município ergueu quatro toldos no local onde as barracas estavam antes do incêndio. Apenas dois comerciantes aceitaram voltar ao trabalho, isso porque a maioria trabalha com comidas e eles preferiram não manusear os alimentos ao ar livre. A prefeitura ainda doou algumas mercadorias para os barraqueiros recomeçarem o trabalho.

Lucinei lamentou ainda o fato da empresa que organiza a festa junina não ter mantido nenhum tipo de contato com a categoria. Ele espera que o grupo se posicione e para, no mínimo, ressarcir o prejuízo dos comerciantes.

Segundo o representante, a noite do sábado (30) que antecedeu o último fim de semana do evento, representaria cerca de 10% do faturamento dos 30 dias de festa. Ao todo, 24 barracas e seis quiosques foram totalmente destruídos e outras seis estruturas foram parcialmente atingidas.

Em nota publicada ainda na noite do sábado, a empresa Aliança, que organiza a festa junina, garantiu que o evento seguirá com a programação até o domingo (8). E reforçou que o grupo assumiu o “compromisso de prestar todo o apoio necessário aos comerciantes que tiveram suas estruturas danificadas”.

O que se sabe sobre o incêndio no Parque do Povo

  • Começou às 19h20 e foi controlado às 22h
  • Fogo iniciou durante troca de botijão de gás
  • Duas pessoas ficaram feridas levemente
  • 24 barracas e seis quiosques foram destruídos
  • Shows do sábado foram cancelados e local evacuado
  • Resultado da perícia sai em 30 dias

Por causa do incêndio, os shows de Avine Vinny, Amazan, Forró da Barka e Rapha Mello, que estavam marcados para começar às 21h do sábado, foram cancelados e o Parque do Povo foi evacuado.

Duas pessoas ficaram feridas. Um homem de 33 anos, que trocava um botijão de gás na barraca onde começou o fogo e teve queimaduras no braço, e outro homem, de 46 anos, que inalou fumaça e passou mal. Ambos foram levados para o Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande e ficaram internados em observação.

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