Apenas 9,3% dos empreendedores paraibanos que procuraram empréstimo conseguiram

Pesquisa foi realizada pelo Sebrae em parceria com a FGV e traz os impactos causados nos pequenos negócios pela crise do coronavírus

A 4ª edição da pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, produzida pelo Sebrae em parceria com a FGV, mostrou que apenas 9,3% dos empreendedores que procuraram empréstimo durante esse período conseguiram. Enquanto isso, 39,7% dos entrevistados ainda estão aguardando resposta e 50,9% não conseguiram.

O número é, inclusive, inferior ao registrado no Brasil, onde 16,3% conseguiram o crédito, 26,9% está aguardando uma resposta e 56,8% não conseguiram.

O levantamento foi feito por meio de pesquisa online e, no estado, contou com 284 entrevistados entre o período de 29 de maio a dois de junho.

Para a analista técnica do Sebrae Paraíba, Márcia Timótheo, um dos maiores entraves para os pequenos negócios não conseguirem crédito é, sem dúvida, o excesso de burocracia. “Recursos existem, mas a dificuldade de acesso ao crédito é grande e pode ser fatal para um expressivo número de pequenos negócios”, afirmou.

“Um dos obstáculos para os empresários conseguirem crédito era a questão da garantia e atualmente eles têm disponível duas linhas de crédito que contemplam Fundos Garantidores. A linha de crédito da Caixa, que conta com o FAMPE e garante a operação em 80%, sendo o complemento o aval dos próprios sócios, sem a necessidade de apresentar garantia real. E a outra é o PRONAMPE que é uma linha de crédito para os pequenos negócios e tem a garantia do Fundo Garantidor de Operações, que garante 85% da operação e a garantia pessoal dos empresários, também, sem a necessidade de apresentar outras garantias reais. O problema é a demora na análise e resposta ao empresário”, destacou.

Para a analista, é fundamental entender que é necessário que as pequenas empresas consigam receber os financiamentos solicitados imediatamente, enquanto ainda existe a possibilidade da retomada da atividade empresarial. “Estamos vendo que a cada dia, mais pequenos negócios estão fechando as portas definitivamente”, finalizou.

Entre as razões apontadas na pesquisa para os empresários não terem conseguido o crédito, desponta como motivo o fato da empresa estar negativada no CADIN/Serasa, com 39,8% e o CPF estar negativado ou com restrição (8,7%). Também foram apontados motivos como score baixo (4,8%), pouco tempo de funcionamento da empresa (4,8%) e outro motivo (14,3%) ou não sabe (9,6%). Os valores mais comuns dos empréstimos solicitados foram entre R$ 10.001,00 e R$ 20 mil (com 45,2% dos respondentes que buscaram o crédito) e R$ 5.001,00 e R$ 10 mil (20,8%).

Outros dados

O levantamento também traz outros números relativos aos pequenos negócios na Paraíba, como o dado de que 45,2% interromperam o funcionamento temporariamente e 48,7% mudaram o funcionamento, enquanto 2% fecharam de vez.

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