Lava-Jato: Veja revela ‘operação abafa’ de Temer que pode beneficiar Manoel Júnior

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O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) e outras dezenas parlamentares brasileiros podem se beneficiar da ‘operação abafa’ promovida pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) para não fazer avançar as investigações da Lava-Jato que envolvam aliados. A revelação foi feita neste final de semana pela Revista Veja.

Considerado pela imprensa nacional como integrante da “tropa de choque” do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Manoel Júnior é acusado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de proferir achaques contra o banco Schahin com o objetivo de favorecer o corretor de seguros Lúcio Bolonha Funaro, que disputava contrato com instituição financeira.

Janot suspeita que Manoel Júnior e outros parlamentares, como Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), apresentaram requerimentos orientados por Cunha e atuaram na Câmara dos Deputados para pressionar o grupo Schahin.

Em entrevista ao Jornal da Paraíba no mês de maio, Manoel Júnior afirmou que os requerimentos não chegaram sequer a ser efetivados, pois as audiências públicas foram transformadas em vindas do presidente do Banco Central à Câmara para prestar esclarecimentos.

“Pois bem, este dois requerimentos foram instados como crimes. Não sabia que investigar corrupção e malversação do dinheiro público agora se transformava em crime. Se tivesse de fazer de novo, faria os mesmos requerimentos, no meu papel de deputado, de fiscalizador dos recursos públicos”, afirmou Manoel Júnior ao Jornal da Paraíba.

Clique aqui ou confira abaixo a matéria publicada pela versão online da Revista Veja:

Governo quer abafar a Lava Jato, diz AGU demitido

Demitido por telefone pelo presidente Michel Temer na sexta-feira passada, o advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, resolveu quebrar o protocolo. Em vez de anunciar a saída com elogios a quem fica e sumir do mapa, ele decidiu pôr a boca no trombone. Em entrevista a VEJA no mesmo dia da demissão, Medina disse que sai do posto porque o governo não quer fazer avançar as investigações da Lava-Jato que envolvam aliados. Diz: “O governo quer abafar a Lava Jato”. Medina entrou em rota de colisão com seu padrinho, o poderoso ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Gaúchos, os dois se conhecem do Rio Grande do Sul, onde Medina foi promotor de Justiça, especializado em leis de combate à corrupção, e Padilha fez sua carreira política.

Medina conta que a divergência começou há cerca de três meses, quando pediu às empreiteiras do petrolão que ressarcissem o Erário pelo dinheiro desviado da Petrobras. Depois disso, Medina solicitou acesso aos inquéritos que fisgaram aliados graúdos do governo. Seu objetivo era mover ações de improbidade administrativa contra eles. A Polícia Federal enviou-lhe uma lista com o nome de catorze congressistas e ex-congressistas. São oito do PP (Arthur Lira, Benedito Lira, Dudu da Fonte, João Alberto Pizzolatti Junior, José Otávio Germano, Luiz Fernando Faria, Nelson Meurer e Roberto Teixeira), três do PT (Gleisi Hoffmann, Vander Loubet e Cândido Vaccarezza) e três do PMDB (Renan Calheiros, presidente do Congresso, Valdir Raupp e Aníbal Gomes).

Com a lista em mãos, Medina pediu ao Supremo Tribunal Federal para conhecer os inquéritos. Recebida a autorização, a Advocacia-Geral da União precisava copiar os inquéritos em um HD. Passou um tempo, e nada. Medina conta que Padilha estava evitando que os inquéritos chegassem à AGU, e a secretária encarregada da cópia, Grace Fernandes Mendonça, justificou a demora dizendo que não conseguia encontrar um HD externo, aparelho que custa em média 200 reais. “Me parece que o ministro Padilha fez uma intervenção junto a Grace Mendonça, que, de algum modo, compactuou com essa manobra de impedir o acesso ao material da Lava-Jato”, conta Medina. O ex-advogado-geral diz que teve uma discussão com o ministro Padilha na quinta-feira, na qual foi avisado da demissão. No dia seguinte, recebeu um telefonema protocolar do presidente Temer. Grace Mendonça, assessora do HD, vai suceder a ele.

O ministro Padilha, que se limitou a divulgar um tuíte agradecendo o trabalho de Medina, manteve distância da polêmica e não deu entrevistas. Exibindo mensagens em seu celular trocadas com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, e com o juiz Sergio Moro, Medina afirma que a sua demissão tem significado maior – o de que o combate à corrupção não está nas prioridades do governo Temer. “Se não houver compromisso com o combate à corrupção, esse governo vai derreter”, afirma ele. Ainda assim, Medina faz questão de dizer que nada conhece que desabone a conduta do presidente.

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