Empresa que monopolizava gravames na Paraíba está envolvida na Lava-Jato

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A empresa que era responsável pela consulta, inserção e baixa de gravames na Paraíba, Cetip, que teve seu monopólio quebrado pelo Governo do Estado ao ser trocada pela Bunkertech, está envolvida na Lava-Jato.

A Cetip que atua em duas frentes. Para papéis como debêntures e certificados de depósitos bancários (CDBs), funciona como uma bolsa de renda fixa — ela registra os títulos, contabiliza compras e vendas e as garantias.

No mercado de carros, registra os financiamentos feitos pelos bancos (os chamados gravames). A maior parte de seus investidores está fora do Brasil. A Cetip é uma das empresas mais discretas do país, ainda que fature 1,2 bilhão de reais por ano e seja avaliada em 9 bilhões na bolsa. Mas, em março, a companhia foi envolvida na maior investigação de corrupção do país, a Operação Lava-Jato.

O personagem central da trama é o conhecido doleiro Alberto Youssef, o mesmo que denunciou o desvio de dinheiro de fornecedoras da Petrobras para partidos políticos. Preso pela Polícia Federal sob um acordo de delação premiada, ele disse em um depoimento que a empresa GRV teria sido parte de um esquema de propinas para partidos políticos.

A GRV, cujo principal acionista era o dono da empresa de pesquisas Ibope, Carlos Augusto Montenegro, foi comprada pela Cetip por 2 bilhões de reais em 2010. É a GRV quem recolhe os dados de todos os veículos financiados no país e os registra no Sistema Nacional de Gravames. O sistema impede que um banco financie no Pará um carro que já está sendo financiado no Rio Grande do Sul. Para cada registro, cerca de 30 reais pingam na conta da GRV. Tudo dentro da lei.

Mas, segundo Youssef, a GRV pagava ao Partido Progressista (PP), que na época comandava o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), para se beneficiar de convênios com órgãos estaduais de trânsito (os Detrans). Com isso, a GRV tinha a exclusividade do registro de financiamentos de veículos em todos os 27 Detrans e ainda crescia com outros serviços adicionais.

Era um monopólio que custava à companhia, segundo o doleiro, 20 milhões de reais. De acordo com Youssef, o esquema teria sido acertado em 2009, com a participação da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados (Fenaseg), entidade que faz a ponte entre a GRV e os Detrans (é a federação que tem direito ao serviço e contrata a GRV para executá-lo).

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