Desprezado no país de origem, leite condensado faz sucesso no Brasil

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    De tão incorporado à culinária local, há até quem pense que o leite condensado seja uma invenção brasileira. O pai da criança, entretanto, é o norte-americano Gail Borden, que criou o ingrediente como uma alternativa para a conservação e o armazenamento do leite na segunda metade do século 19. O método consistia em evaporar boa parte da água existente no leite, levando o líquido para ferver numa panela a vácuo.

    Posteriormente, o açúcar foi adicionado ao processo para aumentar a durabilidade do produto. Borden patenteou o invento em 1856 e viu sua criação ganhar importância durante a Guerra Civil Americana – graças à fórmula que permitia o transporte do laticínio por longas distâncias, as tropas não ficaram de canecas vazias. Na Europa, o leite condensado foi introduzido pela indústria Anglo-Swiss Condensed Milk and Co, fundada em 1867 pelos irmãos Charles e George Page. Em 1905, a Anglo-Swiss se uniu à Société Nestlé, que já era famosa na época por sua farinha láctea.

    Por aqui, segundo o Centro de Pesquisa e Documentação da Nestlé, o leite condensado chegou em 1921, com a abertura da primeira unidade da empresa no país. Pouco mais de duas décadas depois, o ingrediente viraria um item essencial na despensa do brasileiro. O motivo? O brigadeiro. O docinho feito com leite condensado, chocolate em pó e manteiga ficou famoso depois de ser distribuído durante a campanha presidencial do candidato Brigadeiro Eduardo Gomes, em 1945. O militar não ganhou a eleição, mas a guloseima caiu no gosto nacional e virou o rei das festas infantis.

    Usado em pudins, bolos, musses, sorvetes e inúmeras outras receitas, o leite condensado ganhou um fã-clube em solo brasileiro que não se vê em outras terras. “É um ingrediente muito doce, por isso, não agrada tanto aos consumidores de países como os Estados Unidos e a França, que preferem utilizar mais ovos e creme de leite”, diz a doceira Helô Monteiro da Silva, da Helô Doces. Já deste lado do Equador, excesso de doçura não é problema. Tanto que a receita de bala ao lado, que mistura leite condensado e mel, é um sucesso nas aulas do centro de culinária da doceira, em São Paulo.

    Não custa lembrar que o leite condensado não deve ser consumido exageradamente. Como contém muito açúcar e gordura saturada, não é recomendável que pessoas com excesso de peso, diabéticos ou com alteração de colesterol e triglicérides no sangue consumam o produto com frequência. “Cada colher de sopa de leite condensado tem 65 kcal, o que representa 3% de todas as calorias que uma pessoa saudável pode consumir por dia”, diz Ana Paula Gines, nutricionista da Universidade de São Paulo. É bastante. Mas os apaixonados pelo ingrediente garantem que ele é o tipo de delícia que vale cada caloria que tem. As informações são da Casa e Jardim.

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