Carnaval: Lei Seca já detém 39,7% das autuações do ano passado em João Pessoa

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Carnaval é uma festa conhecida por seus exageros. Muitas cores, muita música e também muita bebida. Durante as comemorações, motoristas costumam misturar álcool e direção, uma combinação perigosa que tem sido combatida pela Operação Lei Seca.

O coordenador das Operação na Paraíba, Ricácio Cruz, explicou que durante as prévias carnavalescas do ano de 2015, foram autuados 229 motoristas dirigindo sob efeito de álcool ou outras substâncias psicoativas.

Somente neste ano, os dados sinalizam que poderá haver redução no número de autuação na Lei Seca. A Operação Carnaval, que começou no dia 29 de janeiro e vai até a quarta-feira de Cinzas (11), já registrou até ontem, aproximadamente, 91 casos. Este quantitativo equivale a 39,7% das autuações do ano passado.

“A gente espera que a incidência seja menor. Costumeiramente fazemos um trabalho preventivo colocando isso em prática. Esperamos que as pessoas tomem essa consciência e que as autuações diminuam, mas as autuações serão efetuadas à rigor das fiscalizações. O nosso foco principal é salvar vidas”, declarou.

Ricácio esclarece que os principais pontos de incidência são na malha litorânea paraibana, nas faixas Norte e Sul. Apesar da grande demanda, o número de agentes nas ruas será o mesmo do ano passado.
A multa para os motoristas flagrados na Operação é de R$ 1.915,40 e o coordenador garante.“Vamos trabalhar para intensificar as ações até que seja concluído o que a Secretaria de Segurança nos estipulou de prazo da Operação Carnaval. Nós atuaremos integradamente com os órgãos do BPtran e com o DER”, explicou.

Impunidade

Nina Ramalho não estava no carro, mas os 140km/h do condutor alcoolizado do Golf atingiram-na certeiramente. No dia 6 de maio de 2007, Nina perdeu pai, tio e primo num cruzamento na Avenida Epitácio Pessoa.

Suas considerações acerca da Operação Lei Seca possuem uma forte carga emocional e um desejo incessante de conscientização da população sobre os perigos de unir o álcool e a direção.

“Eu sou totalmente a favor da Operação e vou mais além: acho que todo efetivo policial deveria ser uma Operação Lei Seca, e não só o grupo lei seca. Exemplo, a Polícia Militar, a Polícia Civil, quando verifica que existe um condutor impossibilitado de dirigir, deveria ter o poder de parar o carro e funcionar como uma Lei Seca. Já que não acontece, sou totalmente a favor da eficácia. Acredito que ainda não é o ideal, mas um grande avanço”, revela.

As novas tecnologias trouxeram avanços, mas também trouxeram regressos. Atualmente, existem aplicativos de telefones que detectam os locais onde estão ocorrendo blitz e os usuários disseminam a informação afim de burlar a lei. Nina condena.

“Eu tenho arrumado algumas inimizades por conta disso. Eu entro por mensagem e faço um breve relato da minha história e pergunto se isso vale a pena, pergunto quem é que ele está protegendo, porque no outro carro pode vir um irmão. Nunca obtive resposta de nenhum deles. Não condeno, mas tento conscientizar, porque essa dor aí eu não desejo pra ninguém”, afirmou.

A vítima viva sente a impunidade reinar: o jovem responsável pelo acidente só passou dois anos e sete meses na prisão, e agora responde em regime aberto. “Ele dorme na prisão e passa o dia fora, só ficou preso dois anos e quatro meses. A sensação é de impunidade, é como se houve o júri popular, ele foi condenado e calou a boca de todo mundo. Mas é justo uma pessoa passar esse pouco tempo na prisão sendo responsável por uma morte de três pessoas que poderia ter sido evitada?”, lamenta.

O caso da família Ramalho se deu como o segundo no Brasil onde o responsável foi condenado por crime doloso, quando há intenção de matar. Nina se entristece ao falar que os acidentes se dão por pessoas bem instruídas.

“Acho inadmissível nos dias de hoje, porque a publicidade tá aí, e as pessoas não são mal instruídas, todos sabem que é proibido beber e dirigir, e infelizmente quando são pegas é que elas tomam consciência. Sou muito a favor da educação do trânsito, mas a preço de hoje eu ainda vou pela punição”, reflete.

A dor ainda é latente, mas a vingança não impera. “A gente acredita que aqui se faz e aqui ele vai colher. Não quero vingança, mas eu não sinto justiça. É uma sensação muito ruim. Eu perco a força quando vejo uma chave de um carro do lado de um copo. Como eu queria que eu houvesse uma blitz antes daquele sinal”, conta.

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