Até Roberto Carlos decretou a morte do disco

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Gravar um disco completo nos tempos modernos, apesar do barateamento gerado pelos equipamentos de qualidade profissional a preços mais acessíveis, virou uma fórmula que se parece ter se esgotado nos tempos atuais.

A velocidade da informação e o filtro obrigatório gerado com isso parece ter modificado a forma como alguns enxergam a própria produção musical. Sem falar que a necessidade de lançamentos pautados por singles é muito mais viável para o funcionamento das bandas.

Mas, como fazer a leitura quando Roberto Carlos, com cinquenta anos de carreira consolidada, anuncia o lançamento de um EP com quatro músicas? Sinal claro de que tudo mudou e até o “Rei” assumiu o novo norte para o mercado fonográfico.

Há 100 anos os cantores de jazz se negavam a gravar suas músicas por medo de serem plagiados. De lá pra cá a revolução tecnológica assumiu papel ímpar em nossas vidas e no setor musical transformaram grandes bolachões pretos em microaparelhos capazes de carregar milhares de discos daqueles citados na palma da mão.

A mudança foi grande e a contemplação à capa do disco, encarte e todas suas informações perdeu seu encanto. E uma das coisas mais bacanas que existe em um disco completo que é o conjunto da obra. A variação das canções, a escolha de como contar aquele registro, encaixando cada som em um lugar para tentar montar um quebra-cabeça que agradasse ao gosto muitas vezes já conhecido do público. Escolher a música de trabalho já foi motivo de brigas homéricas entre bandas e gravadoras.

Sou daqueles que ainda veneram os álbuns. Não sou adepto do vinil, mas prezo por um belo encarte de um CD, que ainda compro, apesar da contenção financeira de quem não vive mais embaixo do teto dos pais (confesso que nos últimos 10 anos comprei dezenas em promoção de 9,90 pra baixo em locais que ainda vendem esse tipo de mídia.

O MP3 tornou a melhor alternativa para quem quer consumir música gratuitamente, tarefa antes das rádios FM. Hoje vivemos um período de transformação. As gravadoras já não bancam os discos dos artistas como antigamente e todo mundo que produz música deve ter um canal para escoar sua produção na internet.

A forma de fazer música mudou. Eu sempre digo que pra pior, mas não dá pra reclamar do acesso. Antigamente o lançamento de uma banda gringa chegava no país um mês depois ou mais. Hoje o disco vaza e/ou é lançado em tempo real pra todo mundo.

O problema, é que antigamente você dava uma festa pra todos seus amigos apreciarem o novo disco que chegou depois de dois meses de espera. E hoje a gente se reúne pra ouvir prioritariamente discos produzidos nessa epóca. É algo a se pensar. O disco foi sepultado, mas continua vivo nos corações e mentes de quem sabe que o passado é cheio de melodias lindas para serem ouvidas no repeat de nossas existências.

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