Um vídeo que se tornou viral na internet e já teve quase 30 milhões de visualizações levantou um debate sobre a exposição e a exploração de crianças e adolescentes nas plataformas digitais. Em Brasília, deputados passaram a defender a aceleração do trâmite de projetos que combatam essa forma de violência contra os mais jovens.
Em 50 minutos, o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, faz um alerta sobre a chamada “adultização” de crianças e adolescentes nas plataformas. O vídeo denuncia como a busca por dinheiro através da monetização e o funcionamento dos algoritmos das redes sociais contribuem para crimes contra crianças e adolescentes.
Assista:
Algoritmos seguem o padrão de comportamento dos usuários, indicando conteúdos e vídeos de acordo com a preferência de cada um. No caso de crianças e adolescentes, Felca chamou de “algoritmo P” e deu um exemplo:
Nesses vídeos, segundo Felca, a seção de comentários é repleta de códigos para a pedofilia e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele criou uma conta no Instagram para mostrar como funciona. Em poucos minutos, condicionou o algoritmo a entregar apenas conteúdo de crianças e adolescentes, em muitos casos expondo o corpo.
O pediatra Daniel Becker afirma que essa exposição pode comprometer seriamente o desenvolvimento da personalidade de uma criança.
O Laboratório de Pesquisa em Internet e Redes Sociais da UFRJ, o NetLab, confirma o crescimento desse tipo de conteúdo. Não há bloqueio preventivo de pesquisas, palavras ou termos usados em contexto de exploração infantil nas redes sociais. A pesquisadora Marie Santini defende mais filtros e a regulamentação para impedir a monetização desses conteúdos.
A repercussão chegou ao Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), disse, no domingo (10), em uma rede social:
Apenas nesta semana, deputados apresentaram 12 projetos de lei para aumentar a proteção de crianças e adolescentes na internet. Esses textos vão se somar a pelo menos outras 26 propostas que já estavam na Câmara, mas paradas.
O assunto mobilizou parlamentares de diferentes correntes políticas. Os senadores Jaime Bagattoli (PL) e Damares Alves (Republicanos) estão colhendo assinaturas para pedir a criação de uma CPI para “apurar a atuação de influenciadores digitais e plataformas de redes sociais na promoção e disseminação de conteúdos que sexualizam crianças e adolescentes”.
A deputada Érika Hilton do PSOL disse que: “é criminoso que as redes sociais e ‘big techs’ lucrem com tudo isso, recomendam esses conteúdos a novos usuários, os transformam em ‘tempo de tela’, visualizações de anúncios e, por fim, monetizam a pornografia infantil e a exploração sexual infantil”.
O Instagram afirmou que não permite e que remove das plataformas conteúdos de exploração sexual, abuso, nudez infantil e sexualização de crianças e adolescentes. DO g1.