Só 8,9% das infecções pelo novo coronavírus são detectadas no Brasil, diz estudo

No desespero de uma família, o drama de muitos. A porta do hospital estava fechada. Dona Amália, 53 anos, mãe de sete filhos, inconsciente no carro. Em poucos minutos, estava morta. Isso aconteceu em Manaus. Na última sexta-feira, o Fantástico, da TV Globo, conversou com com três dos filhos dela, que haviam acabado de enterrar a mãe. Foi o desfecho de uma longa busca por ajuda. Há três semanas, Dona Amália, líder comunitária, foi ao posto de saúde com sintomas de gripe.

Mas Dona Amália não melhorou. Diabética e hipertensa, ficou com falta de ar. Os filhos ligaram para o SAMU, sem sucesso. Foi quando decidiram levar a mãe ao hospital indicado pelo serviço de emergência. E o que diz o atestado de óbito? Causa não determinada

O governo do Amazonas diz que Dona Amália chegou morta ao hospital e que o médico não reportou sintomas de Covid-19. Nunca saberemos ao certo. Mas dona Amália pode ser uma em muitas mortes que os dados oficiais não mostram. Vários estudos apontam para a subnotificação.

No Rio de Janeiro, um grupo de cientistas usa o número oficial de mortos para projetar o número real de infectados. Em países onde a testagem é grande e começou cedo, a mortalidade da doença é de 1,3% dos infectados. No Brasil, é de quase 7% dos casos já registrados. Os números variam de um estado para outro. Mas, na média nacional, apenas 8,9% das infecções por Covid são detectadas pelo sistema de saúde. Isso significa que pra cada caso que a gente sabe, oficialmente, que existe de covid-19 no país, tem mais 9 ou 10 pessoas doentes, infectadas, que estão andando por aí sem saber que estão infectadas.

Saber o tamanho do inimigo a combater e onde ele se esconde. Sem isso, nenhuma guerra pode ser vencida.

Do G1

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