Sikêra Júnior fala de sua relação com Bolsonaro e explica porque disse não à TV Record

Polêmico e autentico, Sikêra Júnior ficou conhecido em 2017 quando um vídeo em que dizia que “maconheiros morreriam até o Natal” viralizou nas redes. Logo depois, o apresentador sofreu um infarto e, após receber alta médica, fez uma volta triunfal no programa que apresentava na época, ‘Plantão Alagoas’, da afiliada do SBT em Maceió, surgindo de um caixão. Desde então, sua carreira deslanchou e virou um sucesso -além da grande repercussão na TV, conquistou muitos seguidores na internet; só no Instagram já são mais de 4 milhões de seguidores.

Depois de uma passagem de sucesso pela TV paraibana, em que atuou no Sistema Arapuan de Comunicação, no final de janeiro deste ano, o pernambucano, que mora em Manaus, estreou para todo o Brasil à frente do ‘Alerta Nacional’, da Rede TV!, e já está batendo recorde de audiência.

Em entrevista ao conceituado colunista Leo Dias, da TV Famosos, Sikêra contou que recebeu proposta da Record de São Paulo, mas algumas questões o fizeram recusar. “Estou ganhando bem, entendeu? Me ofereceram grana, mas fiquei pensando: Meu Deus, o dinheiro que vem de Jesus Cristo, que eles pedem para Jesus! Não quero, não vou entrar nessa, dinheiro da igreja, abençoado”, revelou ele, dizendo que já comprou nove carros em um mês para presentear a família.

Assista abaixo a entrevista

Sem papas na língua, o apresentador relembrou uma situação cômica: usou Viagra e acabou no hospital, de cueca, “Era aniversário de casamento, minha mulher estava toda vestida de onça, nessa noite ela encheu a casa de vela, aí comecei a me animar”.

Sobre fazer piadas com homossexuais e ser intitulado de homofóbico e misógino, Sikêra afirma não se importar com os comentários. “Isso é palhaçada, não estou nem aí. Não mexendo na folha de pagamento, me chame do que quiser, não me atrapalha em nada. Aprendi a conviver com esse povo também”.

Ainda na entrevista, apresentador revelou como é sua relação com o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Confira abaixo trechos da entrevista concedida pelo apresentador ao colunista Leo Dias:

A ENTREVISTA

– Você repetiu a sétima série sete vezes e se tornou um dos apresentadores com maior repercussão na TV e na internet. Qual é o exemplo que Sikêra Junior quer passar para os jovens que o acompanham ele? Ou ele não quer passar exemplo nenhum?

– Quero passar exemplo, sim, de que por menos estudo que você tenha, por menos condições que você tenha de moradia, ausência dos pais, enfim, qualquer coisa nesse sentido, isso não é desculpa para você não ir buscar o melhor para a sua vida. Ora, a maior prova sou eu. É possível! E quando tiro onda com maconheiro, com aquelas brincadeiras, é para justamente dizer: “Sai dessa!”. Estou zoando com a sua cara para ver se você para, entendeu? Vai estudar, poxa! Vai trabalhar!

– Você falou que muita gente, por inúmeras questões na vida, ou por ter dificuldade na escola, acha que não tem talento nenhum. Mas sou da seguinte opinião: que Deus deu um dom para todo o mundo. Cada ser humano precisa descobrir o seu dom, qualquer que seja.

– Pois é. Outra coisa que tenho comigo: ninguém toma o que é de ninguém. O que é seu vai ser seu. “Mas, Sikêra, é muito fácil hoje para você, que está com uma vida tranquila”. É, mas ninguém viu os 33 anos que passei para chegar até aqui. Vim ter o meu primeiro carro quitado, no meu nome, com 45 anos de idade. Nunca tive esse lance da inveja, não. Acho assim: vou ter também, vou chegar lá, sabe? Vou ter esse carro, vou comprar a minha aeronave. Estou comprando a minha primeira aeronave, está quase fechado. São sonhos, enquanto não morrer, enquanto estiver com vida e saúde [vou sonhar].

– Você está comprando uma aeronave?

– É, saiu! [risos]

– Mas você não tem medo de avião?

– Não, adoro voar, adoro tudo de avião.

Sikêra Júnior fala de sua relação com Bolsonaro e explica porque disse não à TV Record– Então quer dizer que Sikêra já está comprando seu primeiro jatinho! Você sabe que, antes do Natal de 2016, você era apenas um apresentador policial como tantos que existem no Brasil. A sua vida mudou depois que alguém publicou um vídeo em que você rogava praga para os maconheiros. Aquele vídeo viralizou de tal forma na internet que mudou a sua vida. A pessoa que jogou aquele vídeo na internet te conhecia?

– Não, até porque aquilo era uma brincadeira velha. Fazia aquilo todo ano: “Daqui para o Natal, você, maconheiro, não vai ver Papai Noel. Você não vai ver a rena, não vai ver o shopping”. Essa brincadeira eu fazia todo final do ano. Aí, a coincidência que deu esse “boom” sabe o que foi? Em dezembro joguei a praga e em janeiro, no dia 3, eu tive o infarto. Aí os maconheiros: “Aêê, está vendo aí? A praga voltou para ele. Ele que se arrume, ele vai morrer”. Achei que ia morrer, mesmo. Coloquei cinco stents.

– Você sabe que eu estava com o Amilcare Dallevo Jr [presidente da Rede TV!] assim que ele voltou de Manaus, tinha ido negociar com você e estava bastante impressionado com a sua autenticidade e popularidade. Mas você havia recebido uma proposta da Record São Paulo e recusou sair de onde você estava. Por que você preferiu a proposta da Rede TV!?

– Adoro São Paulo para passeio. Adoro a Santa Ifigênia, mas não mais andar lá, nem de boné, nem de óculos escuros. O pessoal já sabe que sou eu, graças a Deus é reconhecimento do trabalho. Adoro a 25 de Março, mas já não posso mais andar na 25 de Março. Adoro a avenida Paulista, é uma riqueza tomar café ali. Mas São Paulo sempre me assustou, sabe? É muito prédio, é muito concreto, é muita gente correndo. Ninguém dá bom dia a ninguém. É shopping lotado, é tudo “troncho”. Você chega no shopping, passa um cara com metade do cabelo azul, outra metade amarela, daqui a pouco vejo lá um cara desfilando com uma girafa, é um povo estranho, parece que estou em outro planeta. Sou um velho, essas coisas me assustam. Minha mulher não, ela queria ir para São Paulo. É que gosto daqui onde estou. Estou bem, comprei a minha casa aqui. A casa dos sonhos, sabe como é que é? Comprei o carro dos meus sonhos. E comprei o carro da minha mulher, comprei carro para a minha filha, para o meu filho. Em um mês comprei nove carros para a família todinha.

– Você tem 53 anos, já infartou, já rogou praga para maconheiro. Quero saber, Sikêra Júnior, você nunca fumou maconha?

– Nunca. Sabe por quê?

– Por quê?

– Simples. A minha criação foi assim. Nós fomos criados em engenho de usina de cana-de-açúcar, o meu pai [era] muito bruto, a minha mãe costureira. O meu pai dizia assim: “Olha, meu filho, quem fuma maconha dá o caneco” [risos].

Dá o quê? Não entendi, o que é caneco?

– O caneco, o c*! Aí fiquei com medo e disse: “Quero não!” [risos]

– A Record São Paulo te ofereceu mais dinheiro do que você está ganhando hoje?

– Olha, foi.

– Uma das razões para você não ir para a Record foi a questão da liberdade?

– Foi. Porque dinheiro estou ganhando bem. Eles me ofereceram grana, disseram assim: “Sikêra, ouça a nossa oferta!”. Eu disse que não queria nem ouvir. O povo aqui no Brasil acha que dinheiro é tudo. E quando fiquei pensando: “Meu Deus, dinheiro que vem de Jesus Cristo, né? Que eles pedem para Jesus. Não vou querer não, não vou entrar nessa”. Aí me pesou também essa parada. Dinheiro da igreja, abençoado.

– Ah, então pesou também o fato de ser um dinheiro vindo da igreja, é isso?

– Foi uma soma de fatores. A primeira coisa, com toda realidade te digo, era receio que eles me botassem na geladeira. Que ia chegar o ponto em que iam começar a me engessar, não ia poder dizer metade do que digo na Rede TV!. Daqui a pouco eles iam me jogar na Record News, eu ia sumir do mercado, iam me mandar para casa, e eu estava lascado, pedindo emprego.

– Na Rede TV! você tem total liberdade, Sikêra?

– Acho que tenho até demais. Disse para o dono: “Você bota freio para Sikêra, tá? Ou desço a ladeira quebrando tudo o que passa pela frente”. Porque Sikêra não presta, Sikêra não presta!

– Muita gente te acusa de ser o apresentador dos bolsominions. Afinal de contas, qual é a sua relação com a família do presidente da República?

– A relação minha e do presidente é de respeito, de carinho…

– Você tem o WhatsApp do presidente?

– Não tenho, a gente se fala por carta [risos].

– Não tem intermediador? Então você fala direto com ele?

– Não falei isso. Quem liga é o major [deputado Vitor Hugo, líder do governo], quando ele está querendo falar comigo.

– Você estará ao lado de Bolsonaro em qualquer momento? Independente de qualquer ação dele?

– Não. Na hora em que ele errar, vou falar. É simples assim. Se sei que o cara está errado, vou também? É kamikaze? Vou morrer? Não. Me disseram para não tocar nesse assunto, mas perguntei a ele na entrevista: “Presidente, o senhor disse que é atleta, que é uma gripezinha, e eu presidente?”. Então, faço o que me dá na cabeça. Até quando tiver emprego, saúde e inteligência.

– Sikêra, te chamam de homofóbico, misógino, racista. Você parece ter construído um personagem na televisão, mas nunca contou quem é o verdadeiro José Siqueira. Quem é você fora do ar?

– Pai de família. Adoro ficar em casa, odeio ir para a rua, não gosto de shopping, não gosto de cinema, sou antissocial, odeio jantares na casa de quem quer que seja. Odeio foto com político, não visito político. Não gosto de ficar posando perto de governador, de senador, de deputado, de presidente. Adoro mexer nas minhas coisas, na parte de eletrônico. Adoro quebrar e consertar. Adoro tocar as minhas músicas, sou DJ desde os 14 anos, por necessidade. Tenho meus equipamentos hoje da melhor qualidade, pude comprar tudinho novo. Toco em casa, tomo o meu uísque toda sexta-feira com água de coco, fico bêbado, liso e apaixonado, sem dever satisfação a ninguém. Não dirijo para beber, não bebo para dirigir, só bebo em casa com poucos convidados. Sou o homem mais feliz da face da Terra. Tenho um filho de 2 anos e 8 meses que, quando chego, me dá uma alegria! Pena que tenho que passar álcool em gel para pegar nele agora. Tenho minha mulher, que acabou de fazer lanternagem completa, diminuiu o peito, tirou barriga, ajeitou bunda. Sabe, estou doido que ela tire os pontos logo. Ela está parecendo o Frankenstein, mas na hora que ela tirar, vai ser uma noite de amor, de sexo!

– Você usa Viagra?

– Tomei uma vez, quase morri.

– Ah é? Coração disparou?

– É que sou hipertenso. Tomei metade de um Viagra que um amigo me deu e guardei a outra na carteira. Era aniversário de casamento. Tomei o comprimido, bebi uma dose de uísque para ir animando minha esposa e tal. Aí, não vi resultado nenhum, tomei o outro pedacinho. Minha mulher… A bichinha estava toda vestida de onça, ela encheu a casa de vela, aí comecei a me animar e minha mulher olhou para mim e falou: “O que você tem?”. Olhei paro o meu p** e pensei que ela estivesse impressionada. Ela disse: “Você está muito vermelho”. Meu peito foi apertando e fomos para o hospital. O médico disse que eu não podia tomar essa por** nunca, por conta da minha hipertensão. Aí a gente terminou o aniversário de casamento no hospital, eu de cueca e minha mulher de oncinha. A pressão subiu e o pau* até hoje nada [risos].

– Você não se considera homofóbico?

– Não. A minha equipe é composta por lésbicas, sapatão, viado, gay, jumento e são os que mais colaboram comigo, são os que mais me ajudam, são os mais criativos.

– E se você tivesse um filho gay?

– Acho que seria difícil entender inicialmente, porque um pai tão macho. É aquela história né? “Meu filho é homossexual, bicha é o do vizinho.” Mas, se caso acontecesse com meu filho, seria mentira dizer que eu ia aceitar normalmente. Lógico que ia ficar chocado e dizer “filho da peste quebrou toda regra da família”.

– Você acha que você ia demorar um tempo a aceitar, mas inevitavelmente aceitaria?

– Tenho que aceitar, é meu filho, vou botar para fora de casa por causa de uma escolha sexual? Meu filho, que vi crescer, passei a noite balançando, velando o sono dele, que vi primeiro dente nascendo… Vou abandonar meu filho? Tá louco. O que não gosto, e é um direito meu, o que não aceito são os títulos LGBTKY não sei o que. Ah, não pode mais cantar “maria sapatão”, não pode mais cantar “morena do cabelo duro”. Agora, mexem com o meu senhor Jesus Cristo no Carnaval, Parada Gay pega o crucifixo e enfia no rabo, como é que esse povo quer respeito? Você imagina se, depois de tudo o que eles fizessem, eu rasgasse uma bandeira LGBT? Vixe Maria, eu era banido do Brasil. Mas hoje tenho o direito de opinar e de discordar. Estou acordando as pessoas, porque não precisa ninguém entrar no mesmo restaurante que eu e botar uma bandeira LGBT. Não vai mudar nada em minha vida, o garçom não vai dar desconto a você porque é gay, o estacionamento você não vai ganhar de graça, o cinema não vai te dar desconto no ingresso. Acaba com isso, somos iguais, o ingresso que você paga é o mesmo, o imposto é o mesmo, o estacionamento é o mesmo, provavelmente a comida é a mesma. Vamos acabar com essa palhaçada. É o meu pensamento.

– Você sabe que já entrou para a história da televisão brasileira quando decidiu transmitir de Manaus um programa jornalístico ao vivo para todo o Brasil e, em menos de dois meses, você já estava encostando na concorrente direta da Rede TV! que é a Band. O que você quer na televisão?

– Quero que a meninada cabeça de vento que foi na onda desses professores de 40 anos de idade que ainda moram com a mamãe e o papai, que passam o dia com a camisa do Che Guevara fumando maconha, quero que essa moçada que foi usada acorde para Jesus Cristo. Acorde para o trabalho, para o estudo, para valorizar pai e mãe. Essa pandemia chegou dando um tapa na cara de todos nós, sabe? O Universo está dando um tapa na cara de todos nós. As pessoas não ficavam mais em casa, elas voltavam só para dormir. Ah, Leo, antes que esqueça, na pergunta anterior, você disse assim: “Você é intitulado como homofóbico”.

– Homofóbico, misógino…

– Isso é palhaçada, não estou nem aí. Não mexendo na folha de pagamento, chame do que quiser, não me atrapalha em nada. Aprendi a conviver com esse povo também.

– O seu salário está condicionado à audiência?

– Rapaz, você roda, roda, roda e bate nesse assunto, né?

– Sei que existe essa cláusula lá na Rede TV!. Só me diz se sim ou não.

– Sim.

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