Rússia projeta vacina 95% eficaz e a metade do preço das concorrentes

Rússia projeta vacina 95% eficaz e a metade do preço das concorrentes
Foto: Ilustração

Os desenvolvedores da vacina russa Sputnik V anunciaram nesta terça-feira (24) que um segundo estudo preliminar com voluntários da fase 3 dos testes do imunizante contra a Covid-19 mostrou uma eficácia de 91,4%.

A expectativa dos russos é que ela atinja 95% e custe, ao fim, metade do preço de suas competidoras ocidentais, talvez ainda menos.

O anúncio, com sabor de déjà-vu por ser semelhante a dados já propagandeados, busca sanar dúvidas acerca da confiabilidade dos estudos russos e vem na esteira de comunicados de eficácia dos principais imunizantes que já estão sendo negociados no mercado para tentar deter a pandemia do novo coronavírus.

É a geopolítica da vacina em pleno curso.

Na semana passada, as americanas Pfizer e Moderna haviam anunciado eficácia em estudos de fase 3 acima de 90%. Na segunda (23), a sueco-britânica AstraZeneca e a Universidade de Oxford (Reino Unido) disseram ter finalizado testes iniciais e atingido até 90% de eficácia.

Já a chinesa CoronaVac, comprada pelo governo de São Paulo e que será fabricada no Instituto Butantan se for eficaz, tem registrado eficácia ainda maior nos testes feitos na China. Se tudo der certo, estará disponível em janeiro no estado.

Segundo o Instituto Gamaleya, o fabricante da vacina, a eficácia foi medida em 18.794 dos cerca de 40 mil voluntários russos que tomaram as duas doses da Sputnik V ou de um placebo, mantendo o chamado duplo cego, quando nem paciente nem pesquisador sabe quem recebeu o quê.

No ensaio, para cada 3 vacinados, 1 foi inoculado com placebo. A próxima avaliação ocorrerá com um grupo de 78 infectados, que deverá encerrar a fase 3.

A Rússia é o quinto país do mundo em número de casos da doença, com 2,1 milhão de infecções, e vive uma segunda onda severa. Já morreram 37 mil pessoas, número proporcionalmente baixo – são 254 mortes por milhão de habitantes, ante 795 no Brasil, terceiro colocado do ranking de casos. As informações são da Folha de S.Paulo.