O blog abre espaço para compartilhar artigo escrito pelo professor e analista político Flávio Lúcio Vieira sobre a ‘jogada’ do prefeito de Campina Grande e pré-candidato a governador pelo PSDB, Romero Rodrigues, no tortuoso caminho das eleições deste ano na Paraíba

Romero dá xeque-mate em Cartaxo, por Flávio Lúcio Vieira

A reunião do PSDB paraibano realizada durante a manhã desta sexta-feira (19) consolida um movimento já explicitado em ações e discursos desde o final do ano passado, movimento que não apenas interrompeu a tendência de apoio dos tucanos à candidatura ao governo do prefeito pessoense, Luciano Cartaxo (PSD), como reverteu-a em favor de Romero Rodrigues (PSDB), prefeito de Campina Grande, como ficou explicitado.

Esse movimento só ganhou contornos mais nítidos apenas no início dessa semana quando lideranças não apenas do PSDB, como o senador Cássio Cunha Lima, mas do próprio PSD de Luciano Cartaxo, como o deputado federal Rômulo Gouveia e o deputado estadual Manoel Ludgério, que não tergiversaram em deixar claro que Romero Rodrigues, digamos assim, é a opção preferencial deles para o governo.

Trata-se, ainda que informal e à revelia de Luciano Cartaxo, do que ele tanto insistiu para que acontecesse, ou seja, que o nome do candidato da oposição fosse decidido em janeiro para que ele, o ungido, pudesse cair em campo. E foi o que ficou ratificado, ontem.

Mas, não pensemos que se trata de algo que surgiu ao acaso. Na realidade, a consolidação da candidatura de Romero Rodrigues dentro do PSDB é resultado de um embate subterrâneo que acabou por aproximar o prefeito campinense do senador José Maranhão, ambos vítimas do esforço que Cartaxo fez para isolá-los, isso com o explícito apoio de Cássio Cunha Lima e do presidente do PSDB paraibano, Ruy Carneiro.

Todo mundo lembra o deprimente espetáculo político que foi a Convenção Estadual do PSDB, realizada não por acaso em João Pessoa no início de novembro do ano passado, e que mais pareceu um ato de lançamento da candidatura de Luciano Cartaxo ao governo − a intenção era essa mesmo, observado a repercussão dada pela imprensa, − mesmo com a constrangida presença de Romero Rodrigues no evento.

De forma desastrada, Cartaxo foi com muita sede ao pote e quando isso acontece em política, normalmente, a possibilidade de tropeçar é grande.

Como analisei em entrevista recente concedida ao jornalista Adelton Alves durante o programa Rede Verdade, da TV Arapuã, a convenção do PSDB é uma espécie de marco, assim como foi a histórica convenção do Campestre, de 1997, que levou ao racha entre o grupo do então governador, José Maranhão, e o do então senador Ronaldo Cunha Lima.

A convecção tucana do ano passado acabou por criar as condições para a aproximação entre Romero Rodrigues e José Maranhão e produzir uma aliança que é tão explícita hoje que Maranhão ofereceu o controle do PMDB de Campina a um aliado de Rodrigues.

Em novembro, o objetivo tanto de Romero quanto de Maranhão era sobreviver na disputa e evitar serem engolidos pela aliança Luciano Cartaxo-Cássio Cunha Lima. Foi com essa estratégia desastrada que Cartaxo acabou por cavar a própria cova.

Sem o apoio de Romero Rodrigues, que controla a segunda maior prefeitura do Estado, e sem o de José Maranhão, que controla o PMDB, o maior partido paraibano, Cartaxo evidentemente não se viabilizaria. Romero e Maranhão têm poder demais. Não podem ser tratados como forças políticas marginais.

E foi esse acordo tácito entre Romero e Maranhão, que pode se desdobrar mais à frente na retirada da candidatura de um deles em apoio ao que se mantiver na disputa, que viabilizou em definitivo a candidatura de Romero Rodrigues no PSDB. É com essa expectativa que Romero certamente trabalha.

Além disso, outros fatores certamente contribuem para tornar Romero Rodrigues o candidato tucano. Por exemplo, o apoio líquido e certo do PP dos Ribeiro, já que o patriarca da família, Enivaldo, assumirá a prefeitura da Rainha da Borborema quando Romero renunciar ao cargo para ser candidato.

Além disso, arranjos em Campina podem fazer Rômulo Gouveia, que controla do PSD, a “repensar” a candidatura do seu filiado Luciano Cartaxo.

Se Romero vai se tornar o candidato único da oposição isso vai depender da análise do desempenho e das potencialidades de José Maranhão, o que estará umbilicalmente ligado − acho que é nesses termos que Maranhão raciocina − ao crescimento da candidatura de João Azevedo, já que o senador peemedebista alimenta a possibilidade de herdar o voto ricardista e anticassista em 2018.

Enfim, tudo leva a crer que a candidatura de Luciano Cartaxo se inviabilizou politicamente, o que não o deixa numa situação de todo desesperadora, já que ainda lhe restará, além dos três anos de mandato à frente da PMJP e da possibilidade de reeleger o sucessor, liberdade para lançar pessoas de sua estrita confiança à Assembleia e à Câmara Federal. Quem sabe até ao Senado.

No caso de Romero Rodrigues resta reconhecer que, além de não ser um cristão-novo na oposição paraibana, a transparência com a qual sempre se posicionou, sem tergiversações sobre sua candidatura, o tornaram ainda mais confiável.

Camara Municipal