Realização de eventos esportivos na orla de João Pessoa divide opiniões

Realização de eventos esportivos na orla de João Pessoa divide opiniões
Foto: Divulgação

A orla de João Pessoa é um verdadeiro convite à prática de exercícios físicos. Cedinho da manhã, é possível encontrar pessoas caminhando, andando de patins, bicicleta, jogando vôlei. Enfim, opção é o que não falta para quem quer se exercitar. Entre as práticas, a corrida de rua tem crescido em número de adeptos.  e, como consequência, o número crescente de eventos.

Neste início de ano, já foram pelo menos quatro corridas e o percurso quase sempre tem as praias de Tambaú e Cabo Branco como rota. No entanto, moradores desses bairros têm se sentido incomodados com as mudanças no trânsito, a movimentação intensa e até com o barulho proveniente das provas.

Bruno Tozzi tem 36 anos e mora no Cabo Branco desde que nasceu. Ele reconhece que o local mudou muito com o passar dos anos, deixando de lado a tranquilidade, típica de um bairro residencial. Sobre as corridas de rua, o morador admitiu que elas acabam atrapalhando quem reside na região.

“O que me incomoda não é nem o trânsito, que eu até já me acostumei. Pior é o barulho que começa muito cedo e na maioria das vezes é no domingo, quando a gente pode descansar até mais tarde”, avaliou.

A publicitária Tamara Nery conta que corre há quatro anos e treina praticamente todos os dia na orla do Cabo Branco. Para ela, que ano passado chegou a disputar  a Maratona de Chicago e que não perde uma prova em João Pessoa, quanto mais cedo a largada, melhor.

“E as provas começam cedo e duram pouco”, enfatiza. Sobre o uso de som, a publicitária lembra que geralmente é feito um aquecimento, em seguida é dada a largada e durante a corrida vão sendo anunciados os competidores que finalizam a prova.

“É tudo muito rápido e até o lixo deixado a gente vê que é retirado rapidamente. Não acho que atrapalhe”, avalia. Em relação às alterações no trânsito, Tamara conta que em estados maiores, ou até fora do país, a sinalização é feita com antecedência. “Pelo menos uma semana antes da corrida ou da maratona o local já é sinalizado e as pessoas ficam sabendo que o trânsito ali vai ser interditado”.

Já a jornalista Iracema Almeida, que corre desde julho do ano passado e costuma ir às provas de carona, conta que costuma estacionar o carro nas avenidas liberadas. “O trânsito nos arredores fica bem movimentado, porque além de reunir muita gente que vai para as corridas e para a praia, ainda tem a interdição da orla”, lembra.

Mesmo sendo uma entusiasta da prática e reunindo uma dezena de medalhas, Iracema entende que esse tipo de evento muda muito a rotina dos moradores. “Esses bairros da orla têm muitos idosos e esse tipo de movimentação com certeza causa estranheza. De certa forma, no fundo acaba causando certo desconforto para quem mora na região”.

Duração das provas

Em João Pessoa, as corridas de rua têm reunido de 500 a 1.500 competidores, chegando a 2 mil pessoas, em alguns casos. Segundo o professor de educação física, Zeca Florentino, que tem 250 alunos recebendo treinamento especial só para corrida, o número que têm crescido significativamente na capital paraibana.

Ele conta que já produziu alguns eventos em João Pessoa e que as corridas quase sempre se iniciam por volta das 6h, encerrando entre 8h e 8h30. No caso da meia maratona, que tem 21 km, o professor admitiu que costuma-se estender até as 10h, passando pelo menos duas horas do período de interdição da orla. “Mas só acontecem duas dessa por ano aqui na Capital”, lembra Zeca.

No último sábado (30), cerca de 1.500 atletas, entre profissionais e amadores, disputaram na orla de Cabo Branco a 2ª Edição da Corrida Contra a Corrupção realizada neste sábado (30), em João Pessoa. A prova foi disputada no perídio da tarde, com largada às 17h.

Federação se exime

O presidente da Federação Paraibana de Atletismo, Jonatas Martins, afirma que as críticas por parte dos moradores existem, mas disse que o papel da entidade que preside é fiscalizar a parte técnica do evento. De acordo com ele, cabe à Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) e às secretarias do Meio Ambiente (Semam) e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) as respectivas liberações e fiscalizações para as provas.

“Nós da federação precisamos constatar que a corrida tenha ambulância com UTI, banheiro químico, água e arbitragem manual e eletrônica. Ao final de cada corrida de rua, nós emitimos um relatório, que é a condição para que aquela equipe organizadora possa realizar outros eventos”.

Segundo o presidente da federação, a Divisão de Fiscalização da Semam não registrou nenhuma denúncia referente às corridas de rua deste ano. Ele informou ainda que, além da autorização cedida com pelo menos uma semana de antecedência, no dia do evento técnicos da secretaria vão até o local de prova para garantir que está tudo dentro das normas, fazendo também a aferição do som.

Caso haja denúncia, a equipe da Semam retorna ao local para tomar as providências necessárias. De acordo com o órgão municipal, em casos extremos, o evento pode até ser cancelado.As reclamaçõesjunto ao órgão ambiental podem ser feitas através dos números 0800 281 9208 e (83) 3218-9208.

Mobilidade

Sobre o fato de ultrapassar o horário de interdição da Avenida Cabo Branco, que é das 5h às 8h, a Semob informou que mantém livre a passagem dos moradores e comerciantes, em situações que não ofereçam risco aos atletas. Denúncias e reclamações sobre problemas no trânsito em dias de competições podem ser feitas pelos telefones(83) 3218.9330 e  3218.9336, ou até mesmo pelo site do órgão –  servicos.semobjp.pb.gov.br. Com informações do Jornal A União.

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