Considerado um aliado do ex-presidente Lula, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), afirmou que a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que por unanimidade condenou o ex-presidente Lula em segunda instância, aumentando sua pena para 12 anos e 1 mês de prisão no caso do triplex no Guarujá (SP) , expõe a fragilidade da democracia representativa. Para ele, as decisões tomadas contra o petista “se traduzem em um processo que tenta destruir a maior liderança política e popular que existe” no Brasil.

“Não se comemora [a decisão do TRF-4]. Comemora porque não tem, às vezes, sequer noção do que está comemorando. A história do presidente Lula, de certa forma, é a história da redemocratização desse país, do ponto de vista popular”, disse.

Coutinho defendeu a “unicidade das forças progressistas de raiz”, e ressaltou que o Brasil, com as atuais lideranças políticas, está à “deriva”.  “O país nunca esteve tão ameaçado no seu futuro, na sua falsa paz social. O país está à deriva. Está quebrando tudo, desde a economia até às condições desiguais individuais e coletivas”.

Assim que terminou o julgamento no TRF-4, na noite da última quarta-feira (24), Coutinho telefonou para o ex-presidente, que, na ocasião, afirmou estar tranquilo e confirmou que continuaria andando pelo país, apresentando-se como pré-candidato à Presidência da República. “Ele disse que estava absolutamente tranquilo, que não esperava um resultado diferente nessa instância, até por tudo que tinha sido dito e pela condução do processo dele. Lula apenas disse que vai continuar a viajar pelo país”, contou o governador ao Congresso em Foco.

Sobre uma possível aliança do PT com o PSB no estado, Coutinho revelou que seu partido ainda não conversou com o PT, mas que fará isso em breve. “O PSB vai discutir a conjuntura política e eleitoral no momento oportuno, que é lá para o mês de março”.

Sem compromisso e sem voto

Questionado sobre a corrida presidencial sem o ex-presidente Lula na disputa, nas eleições de outubro, Coutinho criticou o governo do presidente Michel Temer e, sem citar nomes, apontou que o atual governo sai fortalecido. Ele também acusou a atual gestão de não ter compromisso com a sociedade, ao buscar a concentração de riquezas em setores estratégicos.

“Quem ganha com isso são os setores irresponsáveis da República brasileira. A democracia para esse pessoal é só um detalhe. Quem ganha é esse setor que governa o Brasil. São essas pessoas que não têm compromisso com o Brasil, e nem voto”, avaliou.

“O que eu acho é que, nesse país de muita gente errada e solta por aí, fazer uma condenação sem que as provas estejam claras, objetivas e públicas, o que é um caso como esse, é uma temeridade que coloca em risco o princípio democrático desse país já tão arranhado com os fatos recentes dos últimos três anos”, ponderou o governador. Ele citou como exemplo o impeachment da ex-presidente Dilma, bem como a divulgação do áudio de uma conversa da petista com Lula, obtida por meio de grampo telefônico, que culminou na decisão da Justiça que a impediu de nomear o ex-presidente à Casa Civil em 2016.

Ministro por um dia

Em meio ao cerco a Lula na Lava Jato, o avanço da crise política e o processo de impeachment contra Dilma na Câmara, a petista resolveu nomear seu padrinho político como ministro da Casa Civil, no dia 17 de março de 2016. Uma guerra judicial, com decisões em várias instâncias, o impediu de assumir as funções de fato. No dia seguinte, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pôs um ponto-final no assunto: acolheu pedido de liminar do PSDB e do PPS contra a nomeação do petista.

Vale lembrar que o caso foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), que entendeu que a nomeação às pressas de Lula seria uma forma de garantir ao petista foro privilegiado. Condenado em segunda instância, o ex-presidente enfrenta outros nove processos na Justiça.  Fonte Congresso em Foco.

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