Queiroz teria usado nome falso em estada em São Paulo, diz CNN Brasil

Quando procurado para prestar depoimentos, Queiroz chegou a informar ao MP que morava no hotel; investigadores foram atrás, mas não encontraram registros em seu nome

A estada de Fabrício Queiroz no município de São Paulo é um dos mistérios que cercam o sumiço do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entre o início do caso das rachadinhas, no final de 2018, e sua prisão, no mês passado.

A CNN, porém, apurou com duas pessoas próximas que Queiroz de fato ficou no hotel Ibis localizado na avenida Roque Petroni Júnior, no Morumbi, zona nobre de São Paulo. Utilizava o local para dormir enquanto fazia o tratamento no hospital Albert Einstein, localizado a poucos minutos de carro dali. Mas também fazia reuniões por lá.

O motivo, segunda essas mesmas fontes, é que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro usou um outro nome e pagou sua estada no local em dinheiro vivo. Tudo para não deixar rastros de sua passagem pelo hotel. À época, Queiroz estava acuado, com medo da repercussão do caso das “rachadinhas” e não queria ser encontrado por ninguém.

Além das fontes testemunhais, o próprio Ministério Público aponta evidências de que o pagamento dos dias que ele passou por lá foram em dinheiro vivo. Os investigadores apreenderam uma caderneta de Márcia Oliveira de Aguiar — esposa de Queiroz, foragida desde 15 de junho — na qual há indicativo de que a despesa do hotel foi paga com dinheiro. Segundo o MP, Márcia recebeu 174 mil de origem desconhecida em dinheiro vivo, dos quais pelo menos R$ 6 mil foram usados para pagamento de “exames + hospedagem em hotel”.

Além disso, a CNN teve acesso ao trecho do processo das “rachadinhas” em que o ex-assessor informa ao MP que estava no Hotel Ibis. No documento de duas páginas, datado de 15 de julho de 2019, Queiroz informou que sua residência fixa era na Taquara, Zona Oeste do Rio, mas que estava no hotel Ibis em São Paulo para “dar continuidade ao tratamento de sua doença”. “Insta salientar, ainda, que o senhor FABRÍCIO QUEIROZ tem uma consulta médica de revisão marcada para a próxima sexta-feira, no mesmo Hospital que o operou”, diz trecho do documento.

Um outro fator reforça que ele se identificou com outro nome e não deixou vestígios do pagamento. Quando procurado para prestar depoimentos, Queiroz chegou a informar ao MP que morava no hotel. Os investigadores foram atrás, mas não encontraram registros em seu nome.

“Outrossim, sua defesa foi formalmente notificada pelo Ministério Público para apresentar comprovante atualizado de residência e prestou informação falsa nos autos ao afirmar, em 15 de julho de 2019, que estaria hospedado no hotel Ibis São Paulo Morumbi (Rua Roque Petroni Júnior, nº 800, São Paulo/SP), pois, quando questionada pelo GAECC/MPRJ, a gerência do hotel respondeu que “não houve hospedagem da pessoa citada”, diz a página 37 do pedido de prisão de Queiroz.

A CNN esteve nesta quinta-feira no hotel. Ele está fechado. Uma pessoa que se identificou como gerente do local disse que o Ministério Público esteve lá e “todas as informações foram prestadas”, mas não disse quais. A assessoria do hotel disse que “em conformidade com a legislação brasileira e com o artigo 5° da Constituição Federal, o hotel Ibis São Paulo Morumbi mantém o sigilo e a confidencialidade sobre seus clientes”. O MP informou que não poderia se manifestar, em virtude do sigilo das investigações. Procurada, a defesa de Queiroz não se manifestou.

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