Professora de JP vira alvo da polícia por suspeita de homofobia em live

Defensoria Pública do Estado da Paraíba pediu que ela se desculpe e a Delegacia de Crimes Homofóbicos de João Pessoa acompanha o caso

Uma professora de Biologia da cidade de João Pessoa definiu pessoas homossexuais e transexuais como “aberrações, pervertidas e pecadoras” durante uma live no Instagram. Um trecho da transmissão tem circulado nas redes sociais e gerado revolta entre internautas. O Portal Correio trouxe o caso à tona nesta sexta-feira (10).

No vídeo, a professora condena o que chama de “práticas sexuais não reprodutivas”. A Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE) pediu que ela se desculpe e a Delegacia de Crimes Homofóbicos de João Pessoa está acompanhando o caso.

Religiosa, Lourdes Rumanelly Mendes dos Reis tenta argumentar que os adeptos do Evolucionismo também consideram a homossexualidade e a transgeneridade uma “agressão”, mas não cita nenhum artigo ou autor que comprove a sua constatação pessoal. O principal embasamento da professora são versículos retirados da Carta aos Romanos, texto bíblico escrito pelo apóstolo Paulo.

Ela também fala que, ao longo do tempo, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo foram interpretadas como desvio, crime, aberração, doença, perversão, imoralidade e pecado. Não se sabe a fonte consultada pela professora nesse trecho do vídeo, mas ela deixa claro que concorda com as classificações aberração, perversão e pecado.

“E aí eu quero trazer, para gente refletir um pouco a respeito desse tema e o que Deus diz sobre determinação de sexo, alguns textos. Eu quero que você preste muita atenção nesse texto de Romanos 1, verso 25 ao 29: Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira. Deus já começa assim, ó, vrá. Trocaram a verdade de Deus pela mentira. Gente isso aqui é uma mentira”, diz a professora, enquanto manuseia um livro cujo título não fica claro no vídeo. “Isso aqui é uma viagem, é uma mentira. Mas não é só Deus quem está dizendo, é a genética também que está dizendo, é a Biologia que está dizendo, tá bom?”, complementa.

A professora segue a leitura do texto bíblico: “E adoraram e serviram a coisas e seres criados em lugar do Criador. Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras contrárias à natureza. Da mesma forma os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros, começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão“.

Veja abaixo a parte da live que se tornou pública após compartilhamento em perfis nas redes sociais.

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Uma professora de duas escolas da rede particular de João Pessoa a Ethos e a HBE resolveu fazer um discurso homofóbico de forma pública na internet. Em seu discurso usando como base sua própria "opinião" e a Bíblia, a professora diz que ser LGBTQ é doença, aberração, pecado e até crime. Vale lembrar que a homossexualidade foi retirada da lista de doenças e desvio psicológico pela OMS, são mais de 30 anos que o termo homossexualismo foi deixado de lado pois as palavras terminadas em "ismo" são geralmente relacionadas a alguma doença e desde então homossexualidade é o certo a se usar. Repudiamos a fala dessa professora, que com sua falta responsabilidade social, acaba disseminando ainda mais o preconceito, ligando diretamente a religião para basear seu discurso homofóbico. Esperamos que as escolas não apoiem esse ato e tomem as devidas providências. Amor próprio, ter coragem de assumir quem se é, amar quem quiser e ser feliz, nunca será algo condenado por Deus, que sempre prega o amor e aceitação ao próximo. E finalizo com uma citação bíblica, que está no livro de Mateus, capítulo 5 versículo 10: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição, porque deles é o Reino dos Céus." Obs: Cada usa as palavras da Bíblia como quiser, uns para propagar AMOR e outros ÓDIO E PRECONCEITO. 🟥🟧🟨🟩🟦🟪 _ _ ✏Por: @emilianogomesx _ _ #Pride #Respeito #JoãoPessoa #paraíba #lgbtq #Jampa #euamojampa

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O portal Paraíba Já entrou em contato com a professora, na noite da quinta-feira (9), para se ela teria algum posicionamento diante da repercussão do vídeo. Em resposta ela afirmou: “meus advogados responderão a respeito”.

Na manhã desta sexta-feira (10), a professora tornou novamente público seu perfil no Instagram e divulgou uma nota. Não há retratação, pedido de desculpas ou reconhecimento de erro por parte da docente.

“Tinham como objetivo expor temas da Biologia, área de minha formação e exercício profissional, à luz das Escrituras Sagradas, área que sou especialistas, demonstrando, assim, como fé e ciência dialogam”, justifica a professora sobre o conteúdo das lives.

A professora rechaça que tenham sido homofóbica quando afirmou que homossexuais são “aberrações, pervertidas e pecadoras”.

“Em nenhuma das minhas falas houve incitação ao ódio, à violência, à ofensa ou à depreciação dirigidas a qualquer ser humano. Nenhum dos conteúdos expostos por mim dissentem do pensamento científico no campo das ciências biológicas, nem objetivaram desrespeitar membros da comunidade LGBTQI+, os quais, têm direito à vida, à preservação da dignidade da pessoa humana, à liberdade de expressão, à liberdade religiosa”, finaliza em nota.

Confira nota na íntegra

Com informações do Portal Correio

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