Presidente da Petrobras descarta mudança na política de preços de combustíveis

Executivos da Petrobras apresentaram na segunda-feira (27), em entrevista coletiva, explicações sobre a formação do preço dos combustíveis, cuja alta foi mencionada mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília como um dos fatores que alimentam a inflação.

O presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, e sua diretoria afirmaram que, no caso do preço do litro da gasolina, a participação da estatal não passa de R$ 2. Nos postos de gasolina, o litro do combustível já é vendido em torno de R$ 7.

– Não há mudança nas políticas de preços da Petrobras. Reforço essa ideia – afirmou Luna.

Em solenidade alusiva aos mil dias do seu governo, Bolsonaro afirmou que os problemas econômicos enfrentados em sua gestão, sobretudo a inflação no preço dos combustíveis,são uma realidade mundial e não acontecem por ‘maldade’.

O presidente citou que “nada é tão ruim que não possa piorar”. E atribuiu a alta dos combustíveis à política de preços da Petrobras, embora também a fantasia de responsabilizar governadores por impostos estaduais que incidem sobre derivados de petróleo.

Segundo Bolsonaro, embora o grande acionista da empresa seja o governo federal, ele não tem o poder de decidir coisas dentro da empresa.

O presidente lembrou que, no momento da troca de presidentes que promoveu na Petrobras, a estatal perdeu “dezenas de bilhões de reais” em seu valor na Bolsa.

— Ninguém trabalha sob pressão. Trabalhar com observações, como hoje estive com o ministro Bento (Albuquer, de Minas e Energia), conversando sobre a nossa Petrobras, o que nós podemos fazer para diminuir o preço na ponta — afirmou.

Sem ação da estatal para reduzir gás

Logo depois, a Petrobras convocou a entrevista coletiva on-line se dua diretoria. Além de negar mudança na política de preços, ao ser perguntado se a Petrobras deveria colaborar com alguma política de redução do preço do botijão de gás de cozinha, Luna respondeu:

– A parte da Petrobras está sendo feita, que é recolher tributos e dividendos (à União). Já recolhemos cerca de R$ 15 bilhões e temos perspectiva de aumento disso. A forma de aplicação desses recursos cabe ao governo, não à Petrobras.

Bolsonaro já indicou que poderia usar dividendos pagos por estatal à União para subsidiar o gás de cozinha, um dos itens que mais pesam no orçamento doméstico.

Na cerimônia em Brasília, Bolsonaro afirmou que os problemas econômicos do país são efeitos em decorrência da pandemia também enfrentados por outras nações e mencionou a alta do preço do gás de cozinha.

O presidente citou, por exemplo, o Reino Unido, onde, segundo ele, o preço do gás natural subiu 300%, e os Estados Unidos, onde o preço da gasolina aumentou 40%.

Em relação ao preço dos combustíveis, Bolsonaro ressaltou que não há muito o que se fazer em razão do arcabouço normativo que rege a atuação da Petrobras.

O presidente relembrou quando, no início do ano, pressionou a estatal pelo aumento do preço da gasolina, o que levou à troca da presidência da empresa.

Do O Globo