Preços justos: a lição de Porto de Galinhas que a Paraíba não pode ignorar

Preços justos: a lição de Porto de Galinhas que a Paraíba não pode ignorar
Imagem Ilustrativa – Foto: Ortilo Antônio/Jornal A União

O turismo é uma indústria feita de detalhes. Não basta ter praias bonitas, gastronomia forte e um pôr do sol que rende cartão-postal. O que define se um visitante volta – e se recomenda – é, muitas vezes, o básico: ser bem tratado e pagar um preço justo pelo que consome. Nas últimas horas, um episódio envolvendo turistas em Porto de Galinhas, em Pernambuco, ganhou repercussão nacional após um desentendimento sobre valores cobrados por serviços de praia, transformando-se em um problema maior, com reflexos negativos para a imagem do destino. Independentemente de quem esteja certo ou errado naquele caso específico, o fato serve de alerta para todo o Nordeste – e, em especial, para a Paraíba.

Este texto não tem o objetivo de apontar culpados, nem turistas, nem trabalhadores. O ponto central é outro: quando a relação de consumo se torna conflituosa, todos perdem. E quem mais perde é o destino turístico. Em tempos de redes sociais, um episódio isolado pode virar narrativa nacional em questão de minutos. Vídeos, relatos e avaliações negativas se espalham rapidamente e passam a influenciar decisões de viagem. A consequência é direta: menos visitantes, menos consumo e impacto em toda a cadeia produtiva do turismo, que envolve hotéis, bares, restaurantes, motoristas, guias, comerciantes e trabalhadores informais.

A Paraíba vive hoje um momento positivo no setor. João Pessoa e outros destinos do estado, como Cabedelo, Conde, Lucena e Pitimbu – só pra ficar nesses -, têm registrado aumento expressivo na ocupação hoteleira, crescimento no fluxo de visitantes e consolidação do turismo como vetor importante da economia. Esse cenário, no entanto, exige cuidado redobrado. Um dos maiores riscos em períodos de alta demanda é a tentação de “esticar” preços, criar cobranças pouco claras ou tratar o turista como alguém que está ali apenas para gastar, sem questionar. Esse tipo de prática pode gerar ganhos imediatos para alguns, mas costuma cobrar um preço alto do coletivo no médio e longo prazo.

Defender preços justos não é defender preços baixos a qualquer custo, nem desvalorizar o trabalho de quem vive do turismo. Preço justo é aquele que é informado previamente, proporcional ao serviço oferecido e respeitado no momento da cobrança. É o valor combinado antes de o serviço começar, exibido de forma clara, sem surpresas, taxas escondidas ou regras criadas no meio do caminho. É o básico de qualquer relação saudável de consumo e o mínimo esperado por quem escolhe um destino para descansar, lazer ou negócios.

Estados vizinhos já sentiram na prática como a repetição de conflitos desse tipo afasta turistas e mancha a reputação de locais antes muito disputados. A Paraíba não pode cometer os mesmos erros. O crescimento sustentável do turismo passa, necessariamente, pela construção de confiança. Turista satisfeito volta, recomenda, traz outros. Turista que se sente explorado dificilmente retorna – e ainda desencoraja novos visitantes.

Mais do que fiscalização, é preciso consciência coletiva. O turismo não pertence a um segmento isolado, mas a toda a sociedade. Proteger esse setor significa adotar práticas responsáveis, equilibradas e transparentes, tanto para quem visita quanto para a população local que também consome esses serviços. O verdadeiro boicote que a Paraíba precisa fazer não é a pessoas ou destinos, mas a comportamentos que transformam uma oportunidade de desenvolvimento em um problema anunciado. Preço justo, respeito e clareza não são apenas boas práticas: são estratégias essenciais para garantir que o turismo paraibano continue crescendo de forma sólida e duradoura.

Fica a dica!

Veja abaixo o vídeo da repercussão do episódio em Porto de Galinhas na CNN