Porto do Capim: oposição defende comunidade e situação sustenta despejo

O protesto dos moradores do Porto do Capim contra a ordem extrajudicial de despejo executada pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) na manhã desta terça-feira (26) na Câmara Municipal alterou os rumos da sessão. Mudou também o tom dos discursos no plenário. As bancadas de situação e oposição foram para o enfrentamento.

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Confira trecho dos discursos de alguns vereadores:

Marcos Henriques (PT) – “A gente vem lutando um PSF ali, mas nem um PSF a gente consegue colocar. Não é com trator, na marra, na tora que se deve tratar essa comunidade, prefeito. O povo só está lutando pelo seu espaço”.

João dos Santos (PR) – “Conheço o Porto do Capim desde 1960. Saibam que contem comigo. Não votarei contra qualquer projeto contra a comunidade”.

Tibério Limeira (PSB) – “Ato cruel e desumano, um ato covarde da Prefeitura Municipal de João Pessoa de despejar as famílias do Porto do Capim para construir um parque. Sem o mínimo diálogo, sem a mínima construção com essas famílias. Reivindicamos da bancada de situação a solidariedade, compromisso com o povo. Não estamos aqui para defender governo, para defender outros interesses que não sejam o da população. Eles querem permanecer lá, existem projetos que tornam essa permanência viável, e a prefeitura deixou de lado esses projetos, deu as costas para comunidade e quer impor um projeto que ela construiu, retirando a comunidade do seu território onde vive há mais de 70 anos”.

Milanez Neto (PTB) – “Eu não sei se estes aqui são os verdadeiros moradores do Porto do Capim. Lamento como setores políticos usam o povo como massa de manobra. Me admira vereadores que dizem que vão para frente dos tratores. Esse debate é nocivo, um discurso contra cidade de João Pessoa. A prefeitura quer dialogar. Esse projeto existe há mais de 20 anos. Mas é esse diálogo que vocês querem, unilateral. O que nossa gestão está fazendo é restabelecendo qualidades humanas, é cuidar das pessoas. E vocês não vão ganhar no grito”.

Raíssa Lacerda (PSD) –  “Um tema tão relevante, que trata-se dessa crueldade da prefeitura querer tirar moradores que tem décadas na comunidade. Um estudo [feito] pela Universidade Federal, que tenho em mãos, diz que é um absurdo tirar as famílias dali. A população reclama que nunca houve leitura da ata, que retarda o debate das casas do Porto do Capim, o que demora bastante, para ver se cansa o povo da comunidade e vai embora. Mas não adianta, povo de comunidade é guerreiro. Não dá para você pegar sua vida e apagar com uma borracha. Isso é desumano, o que a prefeitura está querendo fazer”.

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