A Polícia Civil da Paraíba instaurou um inquérito para investigar a tentativa de soltura irregular de sete detentos da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1 e PB2, em João Pessoa. A fraude envolvia o uso de alvarás de soltura falsificados.
Segundo a investigação, alguns presos chegaram a ser chamados para assinar os documentos de liberação. Durante o procedimento, policiais penais desconfiaram da autenticidade dos alvarás e decidiram confirmar as informações junto à Vara de Execuções Penais.
Os documentos traziam os nomes da juíza Andreia Arcoverde e do juiz Carlos Neves, que negaram ter autorizado qualquer soltura e confirmaram a fraude.
As investigações apontam que os alvarás falsos teriam sido enviados por meio do Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sistema utilizado para o envio de comunicações oficiais entre órgãos do Judiciário.
Entre os presos que seriam beneficiados estão apontados integrantes e lideranças de facções criminosas como Comando Vermelho, Nova Okaida e Bonde do Cangaço.
De acordo com dados do sistema prisional e do Tribunal de Justiça da Paraíba, entre os detentos estão Clodoberto da Silva, conhecido como “Betinho”, integrante da alta cúpula do Comando Vermelho na Paraíba; Diego Alexandro dos Santos, o “Baiola”, apontado como membro do conselho da facção; João Batista da Silva, o “Junior Pitoco”, ligado à Nova Okaida; Samuel Mariano da Silva, o “Samuca”, apontado como fundador da facção Bonde do Cangaço; além de Francinaldo Barbosa, o “Vaqueirinho”, considerado liderança da Nova Okaida.
As penas dos investigados ultrapassam, em alguns casos, mais de 30 anos de prisão por diferentes crimes.
O caso segue sob investigação para identificar os responsáveis pela falsificação e pelo envio dos documentos fraudulentos.
