
A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), em João Pessoa, a Operação Argos, considerada a maior já realizada pela instituição contra o crime organizado. A ofensiva ocorre simultaneamente em cinco estados e mobiliza mais de 400 policiais civis.
Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão, entre eles o do apontado líder do esquema, Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”. Segundo as investigações, ele teria se consolidado como principal fornecedor de drogas para a Paraíba e áreas estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, unidade especializada no enfrentamento a facções e organizações criminosas. Além das prisões, são executados 45 mandados de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias de 199 investigados, o sequestro de 13 imóveis de alto padrão e a apreensão de 40 veículos avaliados em mais de R$ 10 milhões. As medidas têm como objetivo descapitalizar o grupo e enfraquecer sua estrutura financeira, estratégia prevista na Lei nº 12.850/2013, que trata do combate às organizações criminosas.
As diligências acontecem em 13 cidades: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, na Paraíba; São Paulo, São Bernardo do Campo e Hortolândia, em São Paulo; Cândido Sales, na Bahia; e Nova Santa Helena, no Mato Grosso.
De acordo com a Polícia Civil, a apuração teve início em 2023, após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de drogas no estado. O cruzamento de informações revelou que as cargas pertenciam ao mesmo núcleo criminoso.
Desde então, as apreensões já causaram prejuízo superior a R$ 100 milhões ao grupo investigado. Entre os principais flagrantes estão:
Maio de 2023, em Patos: 150 kg de cocaína, prejuízo estimado em R$ 27 milhões;
Junho de 2023, em Cajazeiras: 400 kg de drogas, prejuízo de R$ 6,8 milhões;
Outubro de 2023, em Conceição: 1 tonelada de entorpecentes, prejuízo de R$ 46 milhões;
Dezembro de 2024, em Patos: 30 kg de drogas, prejuízo de R$ 1,5 milhão;
Fevereiro de 2025, em São José de Piranhas: 80 kg de cocaína pura, prejuízo de R$ 10 milhões;
Setembro de 2025, em Patos: 50 kg de entorpecentes, prejuízo de R$ 1 milhão.