PMJP negligencia repasses para Trauminha, incinera produtos e vídeos desmentem Gemaf; MP investigará

O Complexo Hospitalar de Mangabeira Tarcísio de Miranda Burity (CHMGTB), conhecido como Trauminha, é constantemente alvo de denúncias da população. A unidade tem diversos problemas graves, desde a estrutura física, passando pelo quadro de pessoal e até mesmo insumos. Falta de leitos, quartos sem arcondicionados, falta de fraldas, medicamentos e até luvas comprometem o bom funcionamento do local. Porém, o que não é de conhecimento público é que este caos pode não ser causado somente pela má gestão do próprio Trauminha, mas também de setores da Secretaria de Saúde, sob o comando de Adalberto Fulgêncio.

Há uma negligência nítida de setores da pasta para com a saúde dos pessoenses. Um caso vem sendo investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). Foi instaurado um inquérito civil para apurar uma denúncia contra a gerente da Gerência de Medicamentos e Assistência Farmacêutica (Gemaf), Luciane Costa. Ela que foi indicada por uma pessoa de confiança do próprio prefeito Luciano Cartaxo (PV) e de sua esposa Maísa, conforme o MP.

De acordo com documentos do MPPB, o Trauminha vem solicitando junto a Gemaf suas demandas e Luciane vem protocolando dispensas, número que “é infinitamente inferior” ao que é necessário para os atendimentos. Para cortar os pedidos da unidade hospitalar, a gerente alega que não há insumos para serem repassados.

Porém, o Paraíba Já teve acesso, de forma exclusiva, há vídeos que contrapõem os argumentos de Luciane, e mostram uma grande quantidade de medicamentos e insumos que estão indo para a incineração.

Nos vídeos é possível ver centenas de caixas de medicamentos e insumos marcados com uma placa escrito “incinerar”.

Incineração e produtos vencidos: o conteúdo dos vídeos

No vídeo é possível notar uma imensa quantidade de produtos que estão marcados com tarjas de “incinerar” e “quarentena”, em sua maioria os produtos vão ser descartados com incineração.

Em um depósito onde estão armazenados os itens que serão incinerados, há a presença de diversos produtos, como os das marcas Samtronic, Milfra, Centralpack, Nutriex e Neve.

Também podem ser vistos medicamentos como Novabupi, que serve para produção de anestesia local ou regional em cirurgias; e Presstopril, que controla a pressão arterial. Além de diversos tipos de embalagens, tipos de papel, sondas e cateteres.

No vídeo também é possível ver diversas caixas marcadas com “vencido”.

A imensa quantidade de produtos que são descartados pela Secretaria de Saúde chama a atenção, já que isso demonstra que não houve uso planejado e consciente do dinheiro público. A falta de repasse para as unidades de Saúde, como no caso do Trauminha, põe em xeque o cuidado da gestão Cartaxo para com a saúde da população pessoense. É isto que será alvo de investigação por parte do Ministério Público.