PMJP não fornece medicamento para trombofilia há 4 meses; condição pode causar aborto

Com seis meses na barriga de Andressa Cavalcanti, o bebê já recebe cuidados especiais. Vai se chamar Arthur Phelipe, mas para que nasça com saúde e bem nutrido, a mãe precisa controlar a trombofilia aplicando diariamente injeções de Clexane, um medicamento que previne a formação de trombos. No entanto, a média de custo mensal do remédio é R$ 1,5 mil e a Prefeitura de João Pessoa não o distribuiu há, pelo menos, quatro meses.

Andressa tem 36 anos e está com seis meses de gestação. Há quatro meses ela não recebe o medicamento através da prefeitura e precisa arcar com os custos do remédio – R$ 6 mil durante esse período. Para isso, ela conta que precisa da ajuda de familiares e amigos, já que não tem condições pessoais de custear com o marido a medicação.

A injeção precisa ser aplicada diariamente, durante toda a gestação, em mulheres que têm trombofilia. O caso de Andressa, no entanto, é ainda mais delicado. Antes da gravidez atual, ela já teve duas perdas gestacionais provocadas pela trombofilia.

“Graças a Deus as injeções estão fazendo muito efeito. Nas farmácias têm. No começo, [Secretaria Municipal de Saúde] disseram que era uma falta da matéria-prima e que estavam sem condições de mandar. Depois disseram que a demanda era muito grande e não estavam dando conta”, esclareceu Andressa.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o desabastecimento do Clexane (Enoxaparina Sódica) “ocorreu devido ao aumento da demanda global, ocasionando, assim, restrições na quantidade importada e consequente oscilação na disponibilidade do produto no mercado, por parte da fabricante do medicamento”.

A SMS explicou, em nota, que o desabastecimento do produto no mercado é nacional, de acordo com o laboratório SANOFI, produtor do Clexane. A empresa informou que a regularização do fornecimento está prevista para o mês de agosto. 

O hematologista Geraldo Luis explicou que a doença atinge os dois sexos, mas em mulheres gestantes a trombofilia pode gerar maiores complicações, como abortamentos, partos prematuros, eclâmpsia, trombose nos membros inferiores ou embolia pulmonar.

O Clexane age como anticoagulante, evitando trombos durante a gestação, já que a trombofilia provoca uma falha no sistema de coagulação sanguínea, conforme explica Geraldo Luis.

A preocupação de Andressa agora é conseguir manter a medicação até o fim da gestação e posteriormente, quando ela ainda vai precisar administrar o remédio por 45 dias. Além disso, pensa em outras mães que também precisa do medicamento e não têm a mesma oportunidade que ela de conseguir custear.

“E as mães que não têm condições de pagar?”, questiona.

A solução que encontrou foi abrir um processo contra a prefeitura de João Pessoa. Buscou os laudos necessários para comprovar a doença, a falta dele a importância de administrá-lo.

A Secretaria Municipal de Saúde explicou que, a fim de minimizar os prejuízos, as usuárias do medicamento devem procurar seus médicos para orientações sobre o tratamento e possibilidade de uso de outros medicamentos, “uma vez que existem alternativas terapêuticas para tratar casos de trombofilia e assim que a situação da matéria-prima do medicamento for normalizada e o reabastecimento acontecer, a Secretaria voltará a dispensar o Clexane às suas usuárias”.

O médico Geraldo Luis explicou que, de fato, existem outras formas de medicar. No entanto, no período gestacional, o Clexane é o medicamento que tem riscos mais baixos de efeitos colaterais e que promove uma gestação mais segura.

Fonte: G1/PB