PMCG divulga que tem leitos disponíveis, mas nega internação por falta de vagas

Dados da Secretaria de Saúde da cidade apontam disponibilidade para atendimento, apesar disso pacientes estão sendo transferidos para João Pessoa por falta de vagas

A Saúde em Campina Grande está entrando em colapso, devido ao crescente número de casos da Covid-19. Apesar disso, os números de leitos disponíveis na cidade divulgados pela Prefeitura não condizem com a realidade de quem precisa de internação naquela macrorregião. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde na sexta-feira (21), apontam disponibilidade de leitos, porém pacientes estão sendo transferidos para João Pessoa, por não conseguirem atendimento na cidade.

Na quinta-feira (20), a Central de Estadual de Regulação Hospitalar entrou em contato com o Hospital Municipal Pedro I solicitando vaga para um paciente. Até às 19h51 o hospital tinha 100% da ocupação de leitos de acordo com resposta do hospital. O que diverge das informações divulgadas no boletim, que aponta uma uma disponibilidade de 57 leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis na rede municipal, o que corresponde a 70% da ocupação total, e 74 enfermarias desocupadas, o que representa 73% dos leitos disponíveis.

Veja e-mail com resposta do Pedro I:

Veja boletim divulgado dia 21:

Ao longo da semana, outras solicitações de internações da regulação estadual aos hospitais de Campina Grande também foram negadas. Paciente de Monteiro, que faz parte da macrorregião da cidade, teve atendimento negado dia 20 de maio, às 19h51 pelo Hospital Pedro I, que justificou que não receberia o paciente pois teria ultrapassado 100% de sua capacidade. Ele foi encaminhado para o Hospital Metropolitano de Santa Rita.

Confira:

Um paciente de Santa Cecília também teve atendimento negado no Hospital Pedro I, no dia 19 de maio, às 23h13. A justificativa do hospital foi a mesma: mais de 100% da capacidade de ocupação de leitos. Paciente foi encaminhado para Maternidade Frei Damião, em João Pessoa.

Confira:

No dia 20 maio, mais um paciente de Monteiro precisou de internação e, mais uma vez, foi negada pelo Hospital Pedro I, com a mesma justificativa dos casos anteriores. Paciente foi regulado no Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa.

 

Prefeitura mantém leitos de segurança, mesmo diante do colapso

Para explicar a recusa do hospital em receber pacientes, o gerente de Vigilância em Saúde, Miguel Dantas, disse que as vagas disponíveis divulgados pelo município são leitos de segurança, para caso haja um colapso na rede hospitalar do município.

“Toda regulação precisa ter leitos de sobra. O leito de segurança, ou seja aquele percentual de segurança que fica ali (reservado) para o caso de uma ocupação extrema. Na verdade isso é padrão para todo tipo de regulação hospitalar e isso é mantido em Campina Grande”, afirmou.

Sobre o encaminhamento de pacientes para João Pessoa, apesar da resposta do Hospital Pedro I a regulação estadual, Miguel Dantas explicou que o Estado poderia está direcionando os enfermos para outros municípios por decisão própria.

“Na verdade é que como a regulação em Campina Grande é estadual a gente entende que alguns municípios, ao procurar Campina Grande, possam ter sido redirecionados para outras cidades pela própria regulação estadual. Isso é uma movimentação de pacientes de acordo com a ocupação. Se entende que é mais adequado naquele momento remanejar para um local que tenha menos leitos ocupados, do que manter aqui e deixar os leitos de segurança abertos”, afirmou.

Cinco pacientes foram transferidos de Campina Grande para João Pessoa devido a falta de leitos informado pelo município. A Capital lidera o número de casos e mortes por Covid-19 na Paraíba e, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Saúde da Capital na sexta-feira (21), a cidade tem 70% dos seus leitos de UTIs ocupados e 68,3% das enfermarias preenchidas.

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Hospitais estaduais em CG estão com a capacidade máxima de ocupação

Os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Trauma de Campina Grande atingiram 100% da sua capacidade, na note dessa sexta-feira. A Secretaria de Estado da Saúde (SES), informou que o Trauma, atualmente, conta com 05 leitos de UTI e está com  07 pacientes, ou seja, ultrapassou 2 leitos.

Já o Hospital das Clínicas tem apenas três leitos de estabilização disponíveis. Hospital tem atualmente leitos ocupados, sendo 60 de UTI, 10 de UDC e 40 de enfermaria.

Jhonny Bezerra, diretor do Hospital da Clínicas de Campina Grande, que é de responsabilidade do Estado, ao falar sobre os leitos destinados a paciente com Covid-19, disse que a unidade está em um momento inédito de lotação, assim como o Hospital de Trauma.

“O Hospital de Clínicas vive um momento inédito com a lotação de todos os seus leitos de enfermaria. Todos os nossos leitos de UTIs do hospital estão ocupados. No Hospital de Trauma, no momento tem 25 leitos. Todos os leitos de UTI e de decisão clínica estão ocupados e 80% das enfermarias também estão ocupadas”, afirmou.

Ele ainda afirmou que é preciso que a secretaria de Saúde de Campina Grande mantenha um diálogo com a regulação estadual para explicar “onde estão esse leitos que constam no boletim do município”, já que “a central de regulação não consegue internar os pacientes”.

Prefeito reforça disponibilidade de leitos em Campina Grande

O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, em suas redes sociais, também informou, um dia depois da solicitação da regulação do estado (sexta, 21), que o Hospital Pedro I teria leitos de UTI (50% ocupado) e de enfermarias disponíveis (85,56% ocupado).

Veja postagem de Bruno Cunha Lima:

Assista entrevista sobre situação dos leitos de UTI em CG