Paraibano tem que trabalhar quase 96h para comprar uma cesta básica, diz Dieese

A cesta básica em João Pessoa aumentou 15% em março de 2021, se comparado ao mesmo período de 2020. De acordo com pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o paraibano que recebe um salário mínimo tem que passar cerca de 95h42m trabalhando para comprar uma cesta básica. A assessora técnica do Dieese na Paraíba, Lilian Arruda Marques, em entrevista ao programa F5, desta sexta-feira (30), disse que o valor dos itens da cesta básica, pesquisados individualmente, duplicou em 12 meses.

“O preço de alguns itens da cesta básica, se pesquisado de forma individual, duplicou em 12 meses. Isso para quem recebe um salário e não tem reajuste, ou está desempregado, têm um peso muito grande”, disse assessora técnica do Dieese na Paraíba.

Em março de 2020 a cesta básica custava R$ 414,00. Já no mesmo mês em 2021, o valor dos itens alimentícios chegou a R$ 478,52.

De acordo Lilian Arruda, os principais fatores para o encarecimento da cesta básica, além da pandemia, foi o crescimento da exportação dos principais gêneros alimentícios e o aumento do dólar.

“Vários produtos como óleo de soja, arroz, carne, açúcar, são produtos de exportação e o mercado mundial aqueceu este ano. As exportações brasileiras aumentaram muito, e em dólar (o pagamento). Então, o produtor brasileiro prefere exportar, já que o preço está valorizado e aí o produto sobe no mercado interno”, explicou.

Aumento maior em itens pesquisados individualmente

O Diesse analisa os preços de 12 itens que compões a cesta básica em vários supermercados. O percentual de aumento de 15% é relacionado ao valor total dos 12 gêneros alimentícios. Porém, o acréscimo no valor de alguns componentes da cesta básica, analisados de forma individual, tiveram uma aumento bem maior.

Lilian Arruda citou que o óleo de soja encareceu 75.43%. A carne aumentou em média 32%. O arroz subiu 79%. O feijão, 34%. Os percentuais são calculados através de um comparativo dos valores dos produtos em um ano.

“A pesquisa que fazemos é com 12 produtos. O pesquisador vai em vários supermercados. Vários pontos de vendas desse produto. Em vários bairros da cidade. Então, esse é um valor médio. Tem lugar que é mais caro e outros mais baratos. Agora, quando se olha por produto, por exemplo, o óleo de soja que é o mais consumido, ele subiu 75.43%, a carne subiu em média 32%, o arroz subiu 79% e a população consome muito arroz. O feijão, em 12 meses, subiu 34%”, explicou.

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