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ColunasPolíticaWalter Galvão

O avanço do atraso em tempos damáricos: mentiras dentro de mentiras

No futuro, as escolas certamente continuarão ensinando que “quadro dantesco” é uma visão de pesadelo, algo tenebroso, circunstância medonha que ocorre em conjuntura infernal. Também ficará claro nas narrativas de educadores e educadoras em geral que “maquiavélica” é uma situação na qual estratagema bem urdido levará uma pessoa a mergulhar num abismo crente que está fazendo o melhor para si mesmo. Mas na verdade estará sucumbindo para que alguém se beneficie com o seu pobre cadáver destroçado.
Imperativo será também explicar ao alunado o sentido de “damárico”.

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Damárico, adjetivo que os dicionários explicam como algo “que se assemelha ao damarismo”, “aquilo que apela às emoções mesmo que não tenha sentido”, “a falsificação da verdade”, vocábulo que exprime “uma falsa versão de uma falsidade que é construída a partir de uma mentira”. O termo damárico, assim como “damarismo”, entraram para a história do nosso léxico nos primórdios do século XXI. O damarismo emergiu na cultura nacional como uma “doutrina psicológica, política e social baseada no sistema de falsidades individuais e coletivas fincada na possibilidade combinatória das dinâmicas do mito”.

Saindo da aula de gramática, os estudantes saberão com a professora de história que o damarismo foi um período histórico em que mais o atraso avançou entre nós. Tempos em que o dantesco e o maquiavélico foram unificados em nova plataforma subsidiária da nova doutrina inspirada na excitante trajetória de estadista da ex-presidente da República Damares Alves.

O damarismo foi implantado no Brasil ainda quando do Governo Bolsonaro, período em que a ex-presidente Damares despontou para a alta administração da República no cargo de Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

A biografia na Internet indica que “antes de assumir a Presidência da República sucedendo a Jair Bolsonaro, Damares foi uma pastora evangélica da Igreja Quadrangular. Em 1999, ainda no século XX, portanto, mudou-se para Brasília, sendo convidada para trabalhar no gabinete do tio, o deputado Josué Bengtson (PTB-PA), pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular. “Trabalhou também para o deputado federal Arolde de Oliveira (PSD), senador eleito pelo Rio de Janeiro em 2018 cujo sucesso nas urnas em outubro se deveu, em grande parte, ao suporte do “clã Bolsonaro”. “Exerceu também a função de auxiliar parlamentar no gabinete do senador Magno Malta,anterior ao vínculo com o senador pelo Espírito Santo. Foi chefe de gabinete de outro expoente da bancada neopentecostal na Câmara, o deputado federal goiano João Campos (PRB). “No total, foi assessora jurídica no Congresso Nacional por mais de 20 anos antes de sua nomeação por Bolsonaro para o ministério dos Direitos Humanos. “Damares é autointitulada, desde palestra em uma igreja em Mato grosso do Sul em 2013, ‘mestre em educação’ e ‘em direito constitucional e direito da família’”. Em sua gestão, implantou o programa Meu Pé de Goiaba Terapêutico, uma experiência inédita que consistia em prevenir suicídios conversando com Jesus em cima de pés de goiaba. Ela se inspirou para projetar a ação que comoveu o mundo numa conversa que teve com o próprio Jesus que se abalou do céu à terra para ampará-la num momento de sofrência.

Outra iniciativa que calou fundo no coração do Brasil profundo foi a legislação por ela estruturada que definiu como padrão de sociabilidade para identidade de gênero as cores azul e rosa como características de meninos e meninas, respectivamente.

Destaque internacional, e certamente o programa decisivo que a levou a disputar com êxito a Presidência da República foi o de adoção desburocratizado de crianças indígenas, o qual ela mesmo praticou, e que consistia em chegar na aldeia, escolher uma criança e levá-la para casa sem necessidade de qualquer inscrição legal do ato.

A então ministra galvanizou o mundo com uma denúncia de amplo espectro: proclamou que os holandeses masturbavam seus bebês a partir dos sete meses, o que lhe valeu a aclamação internacional devido à natureza essencial do alerta, inclusive a indicação para o Nobel da Paz. Foi na mesma época em que conseguiu barrar uma prática por ela também denunciada: o crescimento das redes de moteis frequentados por cidadãos e cidadãs para fazer sexo com animais.

Estadista que mais simbolizou o avanço do atraso entre nós, Damares merece a estátua em Brasília que substituirá a torre digital de 180 metros projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A torre caíra posto que foi projetada por um comunista. Em seu lugar, rebrilhará o melhor que o mito legou ao Brasil.

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