“Não contribui em nada”, diz Pedro Cunha Lima após Bolsonaro citar ‘país quebrado’

Conforme o parlamentar, a afirmação do presidente não traz soluções para o enfretamento da crise sanitária e econômica causada pela pandemia da Covid-19

O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) comentou, nesta quarta-feira (6), a declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), de que o “país está quebrado” e que “não consegue fazer nada”. Conforme o parlamentar, a afirmação do presidente não contribui na busca por soluções para o enfretamento da crise sanitária e econômica causada pela pandemia da Covid-19.

“É uma frase que não contribui em nada. O Brasil como o mundo inteiro precisa de equilíbrio e foco para poder superar um grave momento. O Brasil vive sim uma crise econômica, um momento difícil do ponto de vista fiscal. Se é isso que o presidente quis dizer, isso está evidente, mas cabe ao presidente da República passar confiança, estabilidade e construir a solução, tomar medidas”, destacou.

O parlamentar paraibano ainda defendeu cortes de excessos e citou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Penduricalhos, apresentada por ele na Câmara dos Deputados, que altera artigo 37 da Constituição Federal e prevê o fim dos auxílios creche, mudança, livro, saúde, alimentação ou qualquer outro para quem recebe mais de 1/4 do salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (aproximadamente R$ 10 mil).

“Temos a Reforma Tributária para fazer. “Ah, mas o Congresso Nacional que tem que fazer”. Não, o governo contribui e pesa muito nesse processo. Tem reforma, tem que enxugar a máquina pública, cortar excessos. Tá aí a PEC dos Penduricalhos que apresentei. Cadê o apoio do governo do presidente Bolsonaro para acabar com os auxílios de todas as autoridades e servidores públicos que recebem mais de R$ 10 mil. Isso é o básico”, ressaltou.

No dia 1º de janeiro, Bolsonaro fez um passeio de lancha pela Praia Grande, no litoral paulista, e promoveu uma aglomeração ao mergulhar no mar e ser cercado por banhistas apoiadores. Conforme Pedro, as atitudes do presidente não devem ser exemplos para a população, já que são contrárias aos esforços dos órgãos de saúde, que têm tentado conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção contra a Covid-19. O deputado ainda citou a cloroquina, medicamento que foi amplamente defendido pelo presidente no início da pandemia, mesmo sem comprovação científica de sua eficácia em casos da doença.

“Péssimas atitudes e exemplos. Aglomerar no dia 1º de janeiro em uma praia não faz bem, dando um péssimo exemplo. Chamar de ‘gripezinha’ não contribui, colocar cloroquina como a salvação está errado, porque a ciência não diz isso. Pelo contrário, com o passar vimos que a cloroquina não surte o efeito que se esperava dela”, lembrou.

Pedro Cunha Lima ainda destacou que vários países já estão realizando a vacinação de suas populações e citou a politização acerca da imunização. Ele lamentou a situação do Brasil e afirmou que o cenário pode ser mudado, caso as atitudes sejam revistas, com foco na resolução dos problemas.

“Agora que a solução é a vacina e vários países já estão vacinando, se cria um ambiente politizado. É tudo muito ruim, a frase é mal posta, as atitudes também precisam ser revistas e digo isso com lamentação, porque torço pelo Brasil e quero ver o nosso país sair desse momento. Agora tem seguir outro caminho, de unidade, de foco, para conseguir construir a solução para um momento tão duro”, lamentou.