“Mortes de crianças estão em patamar que não pede decisões emergenciais”, diz Queiroga

No Brasil, 301 crianças morreram em decorrência da doença desde a chegada do coronavírus até o dia 6 de dezembro. Em 21 meses de pandemia, significa 14,3 mortes por mês

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse na manhã desta quinta-feira que a faixa etária de 5 a 11 anos é ” onde se identifica menos óbitos em decorrência da Covid-19″ e, por isso, o ministério não precisa decidir sobre a vacinação em crianças com urgência.

No Brasil, 301 crianças morreram em decorrência da doença desde a chegada do coronavírus até o dia 6 de dezembro, o que, em 21 meses de pandemia, significa 14,3 mortes por mês, ou um cada dois dias.

— Os óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implicam em decisões emergenciais. Ou seja, isso favorece que o ministério possa tomar uma decisão baseada na evidência científica de qualidade, na questão da segurança, na questão da eficácia. Afinal de contas, nós queremos levar para os pais e para as mães uma palavra de conforto e hoje estamos na época do Natal, é uma época propícia para isso — afirmou, na porta do ministério.

A consulta pública sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra um Covid foi oficializada nesta quarta-feira e preocupa especialistas em saúde.

Dados da Câmara Técnica de Assessoria em Imunização da Covid-19 mostram que 2.978 diagnósticos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid o em crianças de 5 a 11 anos, com 156 mortes, em 2020. E em 2021, já foram registrados 3.185 casos nessa faixa etária, com 145 mortes, totalizando 6.163 casos e 301 mortes desde o início da pandemia.

— A faixa etária de 5 a 11 anos é onde se menos identifica óbitos em decorrência da Covid-19. Cada vida é importante. Nós lamentamos por todas as vidas. Agora, o Ministério da Saúde tem que tomar as suas decisões com base nas evidências científicas — disse, na porta do ministério.

Queiroga apresentou um gráfico e afirmou que os óbitos de crianças por Covid-19 estão “dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais”. Segundo o ministro, isso faz com que o Ministério da Saúde possa ter tempo para decidir sobre a vacinação de crianças.

De acordo com o ministro, o baixo número de óbitos em crianças ainda é motivo de preocupação, mas significa que “mesmo que as vacinas começassem a ser aplicadas amanhã” o problema não será resolvido rapidamente.

Queiroga também afirmou que ainda não há evidências científicas de que as vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) têm eficácia contra a variante Ômicron.

— O lugar para discutir esses temas é aqui no Ministério da Saúde. A consulta pública visa ouvir a sociedade, isso não é uma eleição, isso não é para a opinião do grupo de “zap”. Nós queremos ouvir a sociedade, inclusive ouvir os especialistas. Nós não podemos ouvir os especialistas nos canais de televisão. O ministério não se guia pelas opiniões que são exaradas nos canais de televisão, embora respeitemos a imprensa. O lugar de debatedor isso com especialistas está em uma audiência pública no Ministério da Saúde.

O ministro também afirmou que, desde que assumiu o ministério, o Brasil apresentou uma queda “de mais de 90% no número de casos (de Covid) e mais de 90% no número de óbitos”. Queiroga também afirma que hoje o país está mais preparado “para enfrentar possíveis emergências sanitárias”.

Do O Globo