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Brasil

Morador de Paraisópolis diz que PM impediu pessoas de ajudarem vítimas

"Eles não deixaram a gente sair. Tentamos sair para prestar socorro a quem estava caído", disse morador

Um morador de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, deu detalhes sobre a ação da Polícia Militar para dispersar um baile funk que terminou com a morte de nove pessoas pisoteadas.

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Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, um jovem, que não quis se identificar por questões de segurança, disse que os policiais impediram que outros moradores ajudassem as pessoas que estavam caídas no chão.

“Eles não deixaram a gente sair. Tentamos sair para prestar socorro a quem estava caído. Eles ameaçaram. Insistimos para sair, eles jogaram uma bomba inclusive”, contou.

O morador ainda acusou a polícia de agir de forma premeditada e rebateu a versão de que houve troca de tiros momentos antes da ação da PM.

“Eles pregam que foi troca de tiro, não teve nenhuma troca de tiro. Eles vieram das duas entradas, as pessoas ficaram acuadas. Eles começaram a jogar bombas. Muitos morreram pisoteados, mas já estavam desacordados devido às bombas. Está nítido que foi premeditado”, contou.

O que diz a polícia

Segundo a Polícia Civil, por volta das 4h da manhã, dois homens em uma moto atiraram contra policiais e entraram no baile que acontecia na esquina entre as ruas Ernest Renan e Rodolf Lutze.

Os policiais militares que foram ao local foram recebidos com “garrafadas, pedradas etc.”, e por isso foi feito uso de “munições químicas para dispersão e segurança das equipes”. As vítimas foram pisoteadas, diz a Polícia Civil, durante a “ação de controle de distúrbios civis”.

Em nota enviada à imprensa de tarde, a PM afirmou que “a moto fugiu em direção ao baile funk, ainda efetuando disparos, ocasionando um tumulto entre os frequentadores do evento.”

O porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Emerson Massera, disse que “a moto ainda não foi apreendida, nem os indivíduos foram presos”.

O que dizem moradores e frequentadores

Participantes do baile, por sua vez, descrevem uma situação de cerco policial sobre a festa.

“Eles fecharam [a rua] dos dois lados, e todo mundo correu para uma viela de três metros de largura. Quem estava na frente caiu”, contou ao UOL o estudante de direito Luiz Henrique, 26 anos.

À GloboNews, uma das pessoas feridas — que não quis se identificar — contou que os policiais “ficaram dos dois lados, não tinha para onde correr, não tinha para onde ir.”

Ainda de acordo com Luiz Henrique, policiais chegaram a jogar bombas de efeito moral na viela, o que deixou os frequentadores — adolescentes, em sua maioria — mais desesperados. “Um outro policial mandou pararem”, disse.

O estudante e outras duas pessoas presentes ao baile que foram ouvidas pelo UOL e pediram anonimato também rebateram a versão da PM de que uma moto com duas pessoas entrou no baile, menos ainda atirando.

“É mentira. Eles (PM) que já chegaram atirando, pisoteando a cara das pessoas, quebrando carros e motos. Foi tudo planejado”, disse um jovem morador de Paraisópolis, que prefere não se identificar por medo e que estava no momento da ação da PM na comunidade.

Segundo este mesmo jovem, o que aconteceu foi uma “cena de horror.”

“Um amigo meu acabou falecendo. Eles [os policiais] fizeram isso por vingança e pessoas que não têm nada a ver estão pagando”, afirmou.

PM admite possíveis abusos

O porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Emerson Massera, disse que “algumas imagens sugerem abuso, ação desproporcional”, mas que “o rigor vai responsabilizar quem cometeu algum excesso”.

“O relato que temos é que os policiais, para conseguir recuar, fizeram uso de munições químicas (duas de efeito moral, mais duas de gás lacrimogênio), mais oito disparos de balas de borracha”, disse.

Massera defendeu a ação policial, e afirmou que “a atuação dos PMs foi de proteção aos policiais”.

“Criminosos usaram pessoas que frequentavam o baile como escudos humanos. Pessoas foram em direção aos PMs arremessando pedras e garrafas”, disse.

A Polícia Militar instaurou inquérito policial militar para apurar todas as circunstâncias relativas ao fato. O caso está sendo registrado no 89º Distrito Policial (Jardim Taboão). As informações são do UOL.

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Redação Paraíba Já

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