Mídia nacional destaca belezas naturais de Pitimbu: ‘paraíso intocado’

Dona de uma das menores faixas de areia do litoral brasileiro, com pouco mais de 130 km de extensão, a Paraíba surpreende com a diversidade de paisagens à beira-mar. A última fronteira praiana na porção sul do estado, na divisa com Pernambuco, ainda pouco explorada pelo turismo, não esconde o deficit de infraestrutura.

As opções de hospedagem e restaurantes são tímidas ante a exuberância da natureza.

Viajantes de verão devem prestar atenção a este nome: Pitimbu (a 60 km de João Pessoa). A cidadezinha, ocupada por pouco mais de 19 mil habitantes, sofre uma transformação na alta temporada, quando recebe grupos de visitantes do estado fronteiriço.

Sua população chega a triplicar graças, sobretudo, à presença dos vizinhos pernambucanos, saídos de Goiana (a 30 km) e do Recife (a 100 km) —muitos deles possuem casas de veraneio nas praias dali.

Fora das férias, Pitimbu costuma ser sinônimo de sossego, um paraíso quase intocado. Ali se pode fazer um passeio de barco, com almoço preparado pelo próprio pescador, rumo às piscinas naturais do Farol ou à vizinha (e ainda mais preservada) Branca do Curral.

As piscinas localizam-se entre 1,5 km e 3 km de distância da costa, trajeto que pode ser percorrido de 20 a 30 minutos.

Os passeios, para três pessoas, que incluem peixe com pirão, feito em terra firme, aquecido e servido em meio às águas pelo próprio pescador, custam a partir de R$ 120.

As piscinas naturais só se formam durante a maré baixa. A água, que fica na altura da cintura de um adulto, é transparente e permite enxergar o fundo com nitidez.

Num mergulho de snorkel, é possível avistar na barreira de corais peixes de diferentes espécies. Com sorte, uma lagosta e até o peixe-boi (este cada vez mais raro) podem cruzar seu caminho. Durante a volta ao continente, há chances de garantir boas fotos: é que grupos de golfinhos costumam nadar por ali, fazendo piruetas sob o sol.

No município, há 13 praias, quase todas desertas, espalhadas por 26 km, o que lhe confere a maior faixa à beira-mar da Paraíba. Com o mesmo nome da cidade, a praia central faz a alegria de famílias. Embora movimentada, a faixa de areia é larga e comporta muita gente; o mar, mesmo na maré alta, é bem mansinho, ideal para crianças.

Pitimbu, antigo território dos índios potiguaras e tabajaras, significa olho d’água do fumo. Além da caça e da pesca, eles faziam a extração do pau-brasil, então abundante na região. A madeira era trocada por comida com franceses, que aportaram por ali no século 16. Por essa razão, a região passou a ser chamada, durante o período do Brasil Colônia, de Porto dos Franceses.

No município, existem ainda quatro estuários, que formam as praias mais preservadas de Pitimbu em meio a uma paisagem talhada pelo movimento dos ventos, dos rios e das marés. Corredores de falésias colorem trechos praticamente desertos à beira-mar.

Catalogadas pela Secretaria de Turismo de Pitimbu, as falésias revelaram 90 tonalidades de cor —a exuberância da paleta pode ser contemplada dos mirantes Árvores Tortas e Som das Falésias.

De acesso fácil, o estuário do rio Graú é uma ótima pedida durante a semana, quando é possível até ouvir o barulho da água doce correndo ao encontro do mar. O estuário do rio Abiaí é o mais grandioso.

Ali fica a reserva de mesmo nome. Recentemente, o lugar ganhou um resort com 64 apartamentos, que deverá funcionar a partir do mês que vem —outro projeto prevê expansão para 124 unidades até 2022.

Por enquanto, um beach club, no estuário do Abiaí, oferece piscina, passeio de catamarã pelo rio com duração de duas horas e uma trilha pela mata num caminhão adaptado, além de um restaurante especializado em frutos do mar, em esquema day use.

Um loteamento de casas também começou a ser erguido por lá, sinal claro de que a exploração hoteleira e imobiliária está de olhos voltados para esse recanto da natureza, que, por enquanto, permanece preservado.

Também na área do Abiaí, é comum ver gente transitando de quadriciclo. Por R$ 150, em média, duas pessoas fazem um passeio de 9 km de extensão, geralmente na areia.

O veículo precisa ser dirigido com muita atenção e as áreas de banhistas devem ser evitadas, afinal as pessoas estão relaxadas na praia, despreocupadas e, geralmente, ávidas por esquecer os carros (buggies, felizmente, são proibidos de circular pela orla de Pitimbu).

É bastante intensa a movimentação de embarcações no estuário do rio Goiana, na praia da Pontinha, no extremo sul da cidade, bem na divisa com Pernambuco.

A quantidade de banhistas não deixa dúvida de que o estuário do rio Mucatu, na praia Bela, é o mais concorrido. Não só os encantos naturais, mas, sobretudo, o número abundante de bares, quiosques e restaurantes (são ao menos 12) fazem do local o ponto de encontro dos viajantes, ideal para quem gosta de burburinho e agitação.

Segundo Chico Pinheiro, secretário de Turismo e Meio Ambiente de Pitimbu, esse pedaço da praia acaba de passar por uma repaginação com apoio e orientação do Sebrae-PB. Ele explica que houve uma realocação das barracas que ficavam à margem do Mucatu e que foi vedado o acesso de veículos à rua.

Ao mesmo tempo, donos de quiosques, cozinheiros e garçons passaram por capacitação.

Na praia Bela, hoje se encontram as melhores opções de hospedagem da cidade. Outra possibilidade é buscar um lugar entre as praias do município vizinho, Conde.

Quem preferir ficar em João Pessoa, distante dali 60 km, terá a vantagem de desfrutar da infraestrutura da capital paraibana e fazer um roteiro de passeios bate-volta pela orla.

De João Pessoa a Pitimbu, é só seguir pela BR-101 em direção ao litoral sul do estado.

Passando pela cidade de Conde, basta continuar pela PB-008. Saindo do Recife, as opções são a BR-101 e, em seguida, a PB-044.

A viagem dura cerca de uma hora (de João Pessoa) e uma hora e meia (do Recife). Pode, é claro, alongar-se bem mais, a depender das paradas para aproveitar as paisagens.

Seja qual for a escolha, a dica é acordar bem cedo. Lembre-se de que o sol nasce o ano inteiro por volta das 5h, e o pôr do sol acontece pouco depois das 17h naquelas bandas.

Nesse ínterim, como o povo de lá se orgulha de avisar aos forasteiros, “sempre há uma Paraíba a ser descoberta”.

Texto da Folha de SP

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