Lula se diz surpreso com grau de “promiscuidade” entre integrantes da operação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, na manhã desta terça-feira (11), aos seus advogado estar surpreso com o grau de “promiscuidade” da relação entre os integrantes da operação Lava Jato e o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, após a divulgação de conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil no último domingo (8).

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Em reunião com seus defensores, o ex-presidente ratificou que já sabia do suposto conluio entre seus acusadores e seu julgador, mas ressaltou que não esperava que isso se tornaria público tão rapidamente. “A verdade fica doente, mas não morre nunca”, disse Lula, ao comentar a divulgação das conversas, segundo seu advogado José Roberto Batochio.

Batochio esteve com Lula por cerca de duas horas na carceragem da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR), onde o ex-presidente está preso desde abril de 2018 por conta de uma acusação de corrupção feita pela própria Lava Jato. O advogado Cristiano Zanin, que também defende o ex-presidente, participou da visita.

Zanin afirmou ao deixar a PF que o conteúdo das reportagens divulgadas pelo The Intercept confirma o que ele e outros advogados do ex-presidente vêm afirmando há anos. “As reportagens reforçam que o ex-presidente não teve direito a um julgamento imparcial”, afirmou ele. “Houve uma absoluta falta de imparcialidade e equidistância das partes.”

O advogado explicou que o teor das conversas deve ser usado por recursos que a defesa do ex-presidente apresentará à Justiça em busca de sua liberdade. Ele disse que a estratégia para apresentação desses recursos ainda está em discussão pela equipe que defende Lula. Segundo apuração do blogueiro Jamil Chade, do Uol, a defesa já definiu que usará as conversas no processo que será levado ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

As mensagens publicadas pelo site The Intercept Brasil no domingo indicam suposta interferência de Moro em ações conduzidas pelo MPF (Ministério Público Federal). A força-tarefa da Lava Jato confirmou o vazamento das mensagens, mas disse que não há nenhuma ilegalidade revelada pelo conteúdo.

Foram divulgados trechos de conversas de grupos da força-tarefa no Telegram, aplicativo de mensagens, que teriam sido trocadas entre 2015 e 2018 e obtidos pelo site com uma fonte anônima.

Nas conversas, os procuradores da Lava Jato também discutiram maneiras de evitar que fosse realizada uma entrevista de Lula ao jornal “Folha de S. Paulo”, autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, durante o segundo turno das eleições do ano passado.

A preocupação, segundo os diálogos revelados pelo site, era de que a entrevista pudesse ajudar a eleger o então candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) ou “permitir a volta do PT”. A entrevista com a colunista Mônica Bergamo aconteceria a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições. Haddad foi para o segundo turno e acabou derrotado por Jair Bolsonaro (PSL).

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