Líder de pirâmide cripto que teve Cafu como garoto propaganda se declara culpado nos EUA

Golpe internacional que atuou no Brasil enfim chega a um desfecho, com líderes confessando a fraude

Por Gustavo Bertolucci

Vários brasileiros que participaram do golpe da Airbit Club, pirâmide com criptomoedas que atuou em vários países, se declararam culpados. Dentre eles, o principal líder, Gutemberg dos Santos, preso nos Estados Unidos, confessou suas práticas fraudulentas. As informações são do jornalista Gustavo Bertolucci, no Livecoins.

O caso publicado pela justiça dos EUA na última quarta-feira (8), encerra finalmente uma das fraudes que atuou inclusive no Brasil. No país, a pirâmide utilizava a imagem do ex-pentacampeão Cafu para captar novos investidores e passar credibilidade.

Além de Gutemberg, os líderes e operadores Pablo Renato Rodriguez, Scott Hughes, Cecilia Millan, Karina Chairez e Jackie Aguilar também se declararam culpados. A relação de líderes que assumiram a responsabilidade pelos crimes foi anunciada pelo procurador Damian Williams, de Nova Iorque, nos EUA.

Cafu foi embaixador da ArbCrypto . Reprodução
Cafu foi embaixador da ArbCrypto (Foto: Reprodução)

Brasileiro líder da Airbit Club confessa crimes de pirâmide com criptomoedas nos EUA

Ao atuar no mercado como uma mineradora de criptomoedas e corretora, prometendo rentabilidade alta aos investidores, a Airbit Club alcançou clientes de vários países.

Brasileiro acusado de fraude com criptomodas é preso nos EUA e pode pegar 30 anos na cadeia
Empresário brasileiro Gutemberg dos Santos, fundador da AirBit Club. (Foto: Reprodução/Wikipedia)

Para isso, o envolvimento de vários líderes do esquema foi fundamental para que novas pessoas colocassem dinheiro na empresa. Ao investir no esquema fraudulento com a promessa de altos retornos, muitos não sabiam que estavam lidando com uma pirâmide financeira.

Ao receber valores, os líderes da Airbit Club lavavam o dinheiro e ostentavam vida de luxo em redes sociais. De acordo com a justiça norte-americana, o esquema começou em 2015 e durou pelo menos até 2019. Contudo, desde 2016 alguns clientes já não conseguiam realizar os saques de forma fácil, no esquema que dependia da entrada de novos investidores.

Ao confessar os crimes, os principais líderes podem pegar vários anos de prisão e devem pagar multas pela fraude no mercado.

“Os líderes se confessaram culpados de acusações, incluindo conspiração por fraude eletrônica, que acarreta uma sentença potencial máxima de 20 anos de prisão; conspiração para lavagem de dinheiro, que acarreta uma sentença potencial máxima de 20 anos de prisão; e conspiração para fraude bancária, que acarreta uma sentença potencial máxima de 30 anos de prisão.”

Vítimas podem enviar informações via e-mail para autoridades dos EUA; no Brasil página no Reclame Aqui reúne relatos desesperados

Caso alguma vítima queira colaborar com as investigações sobre a Airbit Club, autoridades dos EUA estão recebendo informações através do e-mail “[email protected]“.

A investigação conduzida por autoridades dos EUA contou com o auxílio de órgãos do Panamá, país que também tem vítimas do esquema.

Chama atenção para o caso envolvendo o advogado Scott Hughes, que ajudou a Airbit Club e outra pirâmide, a Vizinova, a resolver uma disputa contra a SEC.

O escritório do advogado ajudou os criminosos a lavar dinheiro do esquema e até a remover informações negativas sobre as empresas em sites. Agora, ele também responde pela cumplicidade com o crime.

O caso Airbit Club pode ajudar autoridades de todo o mundo no futuro a lidarem com pirâmides que atuam em vários países. No Brasil, vale lembrar, muitos que investiram com a empresa movem processos e usam a página da Airbit Club no Reclame Aqui para relatar detalhes da fraude sofrida.