Justiça aumenta pena dos ‘Canibais de Garanhuns’, que moraram na Paraíba

O homem e as duas mulheres que ficaram conhecidos como os ‘Canibais de Garanhuns’ tiveram um aumento de pena determinado pela Justiça. Eles foram condenados em júri popular realizado em 2014 por assassinar, esquartejar, consumir e vender carne humana dentro de salgados. A promotoria entendeu que era preciso ampliar a punição por causa da gravidade dos crimes.

Atendendo a um pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJPE) decidiu ampliar o prazo de condenação de Jorge Beltrão da Silveira, Bruna Oliveira e Isabel Cristina Pires da Silveira. Esse caso é referente ao assassinato, ocultação e vilipêndio a cadáver (profanar ou desrespeitar) de Jéssica Camila da Silva, de 17 anos, em 2008, em Olinda.

Jorge tinha sido condenado a 21 anos de prisão, além de seis meses de detenção por vilipêndio. Com a decisão, ele passa a cumprir 27 anos de cadeia, bem como um ano e meio de detenção. Isabel Cristina Pires e Bruna Oliveira pegaram penas de 19 anos de prisão e um de detenção. Agora, cada uma deve ficar 24 anos na prisão, além de ter que cumprir um ano de detenção.

A decisão de aumentar as penas foi tomada de forma unânime pelos desembargadores da 1ª Câmara Criminal do TJPE. Ela transitou em julgado e não cabe mais recurso. O MPPE considerou que as penas deveriam ser mais severas por causa da gravidade dos crimes de homicídio qualificado, esquartejamento e vilipêndio, quando se despreza ou humilha o corpo da vítima.

Em 2008, os ‘Canibais de Garanhuns’ moraram durante seis meses em um sítio localizado no município de Conde, na Paraíba, a 19 quilômetros de João Pessoa. Na época da prisão do trio, policiais paraibanos chegaram a fazer escavações no sito em que eles residiam, pois existiam fortes indícios de que poderia haver corpos enterrados no local.

‘Canibais de Garanhuns’ são condenados a 71 e 68 anos de prisão

Jorge, Isabel e Bruna também foram condenados em outra ação penal, em dezembro de 2018. Em júri popular, realizado no Recife, eles foram julgados pelas mortes de Alexandra da Silva Falcão, de 20 anos, e Gisele Helena da Silva, de 31 anos, ocorridas em Garanhuns, em 2012.

Conforme a decisão dos jurados que julgaram os crimes cometidos em Garanhuns, Jorge Beltrão terá que cumprir pena de 71 anos de reclusão. Isabel Cristina pegou 68 anos de reclusão. Bruna foi condenada a 71 anos e 10 meses de prisão.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), as penas dos julgamentos serão somadas ao tempo de prisão estabelecido anteriormente. Portanto, Jorge deve cumprir 98 anos de prisão, Bruna foi condenada a 95 anos e Isabel a 92 anos.

Crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, a vítima, que tinha 17 anos na época do crime, foi assassinada pelos acusados em maio de 2008, no Loteamento Boa Fé 1, bairro de Rio Doce. Após o crime, Bruna Cristina, uma das acusadas, assumiu a identidade de Jéssica Camila e o trio passou a criar a filha da vítima.

Um laudo técnico emitido em novembro passado atestou que os três não têm problemas mentais e, com isso, poderiam responder aos atos que cometeram. O homem e as duas mulheres foram avaliados pelo Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), em Itamaracá, no Grande Recife.

O primeiro dos dois dias de julgamento, em 2014, o trio foi hostilizado ao chegar ao Fórum de Olinda e trocou acusações entre si durante os depoimentos.

Eles contaram detalhes macabros da ação e uma das rés, Bruna Cristina, disse que “Jogos Mortais perdia”, ao descrever o assassinato de uma das vítimas. A ré afirmou que chegou a comer a carne da mulher por causa do ritual.

Histórico

O caso veio a público depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento. Os acusados usaram o cartão de crédito da vítima em lojas de Garanhuns e foram rastreados pela polícia.
Uma publicação contendo os detalhes dos crimes – registrada em cartório – foi encontrada na casa dos réus. Para a Polícia Civil de Pernambuco, não há possibilidade de outras mortes terem sido praticadas pelo trio no estado.

A repercussão teve início em 2012, quando a polícia descobriu que o trio fatiava a carne dos corpos das vítimas, guardava na geladeira e não só consumia como utilizava para rechear coxinhas e salgadinhos que vendia em Garanhuns.

Os acusados afirmam fazer parte da seita Cartel, que visa a purificação do mundo e o controle populacional. A ingestão da carne faria parte do processo de purificação.

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