Jovens negros são perseguidos e denunciam racismo em livraria de JP

Ana Dindara e Lucas Mendes registraram um boletim de ocorrência denunciando o caso, que aconteceu na quarta-feira (2), em um shopping da Capital

Dois jovens negros foram supostamente perseguidos por funcionários de uma livraria em um shopping de João Pessoa, sob a suspeita de estarem praticando algum ato ilícito no empreendimento. O caso aconteceu na quarta-feira (2), e ganhou repercussão nesta quinta-feira (3). Eles registraram um boletim de ocorrência denunciando o caso.

Em um vídeo publicado no Instagram, os amigos Ana Dindara e Lucas Mendes explicam que foram constrangidos por funcionários da Livraria Leitura ao serem perseguidos e vigiados. Ao retrucarem a ação, ouviram de um funcionário que “pessoas com o perfil deles costumam roubar” na loja.

Dindara chega a relatar que um funcionário quase partiu para agredi-la em determinado momento. Já Mendes conta que a todo momento os funcionários eram sarcásticos com eles.

Eles chegaram a buscar o gerente da livraria, mas não conseguiram resolver a situação. Em seguida, com auxílio de um advogado foram a uma delegacia prestar um boletim de ocorrência por racismo.

Dindara diz ainda que enfrentou resistência por parte da autoridade policial para tipificar o crime como racismo no B.O .Já Mendes relata que teve que explicar a um policial a diferença entre racismo e homofobia.

A vereadora Sandra Marrocos (PT) chegou a repercutir o caso nas suas redes sociais nesta quinta.

Assista jovens explicando o caso

O que diz a livraria

Em nota divulgada no início da tarde desta quinta-feira (3), a livraria Leitura disse que se opõe a qualquer situação que possa causa um dano social. A loja ainda diz que buscará um canal aberto com os envolvidos no intuito de elucidar o caso.

Porém, em nenhum momento a livraria se desculpa com as vítimas de racismo, nem cita medidas contras os funcionários.

Confira nota na íntegra:

A Livraria Leitura repudia e não se omite em nenhum caso de discriminação. Com mais de 53 anos de tradição no país, fomentamos a cultura, a diversidade, o conhecimento e a leitura. Nos opomos a qualquer situação que possa causar um dano social.

Nosso quadro de 14 funcionários da Leitura do Mangabeira shopping tem atendentes, assistentes e coordenadores, nenhum deles é fiscal de loja e tem a função de fiscalizar clientes. Não trabalhamos com perfis e não instruímos nenhum funcionário neste sentido.

Buscaremos um canal aberto de comunicação com os envolvidos com intuito de manter nossos clientes satisfeitos e presentes na nossa história.