Governador do RJ é alvo de operação da PF sobre desvio de verbas no combate à Covid-19

Mandados são de busca e apreensão em investigação sobre hospitais de campanha

A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão no Palácio das Laranjeiras, a residência oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e no escritório de advocacia onde atua a mulher dele. Também há ordens judiciais cumpridas em um imóvel no bairro do Grajaú, que seria a residência pessoal de Witzel.

A operação, nomeada Placebo, investiga indícios de desvios de recursos públicos destinados a vigorar o estado de emergência de saúde pública em decorrência do novo coronavírus.

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou 12 mandados de busca e apreensão. Esses dez são cumpridos no Rio de Janeiro e dois em São Paulo. De acordo com o STJ, o processo corre em segredo de Justiça.

Segundo a PF, investigações apontam para a existência de um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro.

A gestora de hospitais de campanha, Iabas, foi um dos alvos da operação de hoje. Agentes da PF foram um escritório da empresa na capital paulista. Procurada, ela ainda não se manifestou sobre a ação.

O governo fluminense não entregou todos os hospitais de campanha prometidos. A Justiça chegou a abrir prazo para que todos os livres dos hospitais de campanha sejam em operação para atendimento imediato de pacientes do covid-19. Witzel prometeu entregar os hospitais após a ação judicial.

As investigações têm como base provas obtidas pela Polícia Civil, Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal. Esses elementos foram compartilhados com a PGR (Procuradoria Geral da República).

Carla Zambelli falou sobre operações um dia antes

Ontem, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), aliada da primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disse que alguns governadores estão sendo investigados pela PF e que as operações foram levadas a ocorrer.

Questionado sobre a operação hoje, Bolsonaro disse: “Parabéns à Polícia Federal. Fiquei sabendo agora pela mídia. Parabéns à Polícia Federal, tá ok?”

Gestora foi alvo de operação antes

Há cerca de duas semanas, a Iabas foi alvo da Operação Favorita. Ela é suspeita de ter corrompido agentes públicos para desviar através de recursos do contrato emergencial. Segundo o MPF, um esquema de corrupção na área da saúde iniciado na gestão do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) continuou na administração de Witzel.

Procurado, o governo do Rio de Janeiro ainda não se manifestou sobre os mandados de busca e apreensão.

Do UOL

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