Forró viral de Juliette teve aval da família de Luiz Gonzaga e ia ser lançado por Anitta

Cantora publicou vídeo no Instagram respondendo às críticas de quem a acusou de “estragar” um clássico

Foto: Divulgação

Uma nova música lançada por Juliette, na última sexta-feira (14), o álbum “São Juão” traz regravações de sucessos do forró, releituras juninas de hits do pop e canções inéditas. Ao todo, são 14 músicas. Mas uma em especial chamou a atenção da internet: “Vem Galopar”, uma releitura atualizada de “Pagode Russo”, clássico de Luiz Gonzaga. “Essa gerou o ‘quiquiqui’, fez barulho. A galera dizendo: ‘meu Deus, que letra!’. Como se a gente vivesse numa era de letras muito poéticas… enfim, a hipocrisia”, Juliette analisa.

Depois do lançamento da faixa, a cantora publicou um vídeo no Instagram respondendo às críticas de quem a acusou de “estragar” um clássico de Luiz Gonzaga. Na gravação, defendeu que “Vem Galopar” mantém o espírito irreverente da música original ao incluir termos com duplo sentido.

Pensada para Anitta

A letra da música era outra originalmente, porque “Vem Galopar” foi primeiro pensada para Anitta. O nome da faixa chegou a aparecer no perfil da cantora no Spotify como lançamento previsto, mas ela desistiu de gravar.

“Mudei algumas coisas na letra e no beat, para deixar com a minha cara. Fizemos algumas adaptações, mas sem perder o foco da inspiração de Gonzaga”, conta Juliette.

Com a versão pronta, a equipe de cantora foi atrás da autorização da família do cantor e compositor, uma das figuras mais emblemáticas da cultura popular brasileira. Os herdeiros de Gonzaga administram os direitos autorais da obra do artista, que morreu em 1989.

Além da permissão para adaptar “Pagode Russo”, Juliette também foi autorizada pela família de Gozagão a regravar “Numa Sala de Reboco”, “São João na Roça”, “O Xote das Meninas” e “Olha pro Céu”. Todas foram incluídas no “São Juão”, em versões ao vivo, ao lado de músicas de Dominguinhos, Alceu Valença, Zé Ramalho e outros compositores.

“Vem Galopar” tem ao todo seis autores, incluindo os créditos da música original — de Luiz Gonzaga e João Silva. Juliette conclui: “A verdade é que a música é boa e está na cabeça de todo mundo.”

Por que é tão viciante?

Para além das críticas, “Vem Galopar” tem sido comentada pelo potencial de grudar na mente. Isso não é por acaso.  Muito se falou sobre a letra, mas o segredo do magnetismo da música está na atualização de uma melodia já bastante conhecida pelos brasileiros. O arranjo mistura a sanfona, a zabumba e o triângulo — conjunto básico do baião, definido por Gonzaga — com elementos de funk e uma base eletrônica mais lenta do trap, gênero do rap que está em alta nas paradas de sucessos do Brasil.

O resultado é um beat que “mistura linguagens”, segundo Rafinha RSQ, produtor que trabalhou nessa e em outras faixas do “São Juão”. Para ele, o “efeito chiclete” não está nas palavras, mas num trecho instrumental específico, que é apresentado no início da faixa e repetido durante boa parte da melodia. “Sempre vão existir críticas, mas o importante é que as pessoas vão se acostumando e curtindo a música”, diz Rafinha.

Para quem quer ouvir algo mais poético e meditativo, Juliette sugere dar play em outra faixa do álbum: “Amor de São Juão”, que ela mesma compôs com o músico paraibano Seu Pereira. “Ou então escuta as outras. É o que eu faço.”