Fake news: fazer gargarejo com sal e vinagre não mata coronavírus

Em tempos de pandemia de coronavírus, é muito importante checar as informações que você repassa nos seus grupos de WhatsApp. Muitas receitas “milagrosas” que prometem matar o vírus causador da covid-19 têm circulado por aí. Uma delas diz que fazer gargarejo com sal e vinagre supostamente mataria o coronavírus. É mentira.

Um dos principais sintomas da infecção é a tosse seca. Diz a mensagem: “Por 3 a 4 dias, o vírus fica restrito a garganta. Assim, nesta fase, fazer gargarejos já ajuda a minimizar o impacto.”

Não acredite nisso. O coronavírus infecta as células do pulmão, não da garganta ou do nariz. Eles usam o nariz e a garganta como porta de entrada no corpo apenas. A tosse e a coriza (nariz escorrendo) são sintomas do vírus se multiplicando e o nosso corpo reagindo.

Fazer gargarejos não vai matar o vírus, mas pode aliviar aquela coceira na garganta. Por infectar as células do pulmão, ele pode mesmo causar pneumonia, mas isso só acontece nas pessoas mais debilitadas, com imunidade muito baixa, principalmente idosos. Em pessoas jovens ele causa uma gripe.

Veja outras mentiras sobre o vírus que circulam por aí:

Comer alho evita a contaminação pelo coronavírus

O alho tem comprovadamente componentes que auxiliam na redução do colesterol e nos processos do sistema imunológico. De acordo com a OMS, embora seja um alimento saudável, não há nenhuma evidência científica comprovando que seu consumo —em qualquer quantidade— pode proteger as pessoas do novo coronavírus.

Consumo de altas quantidades de vitamina C natural

Uma mensagem que está circulando nas redes sociais atribuída a uma estudante chamada Laila Ahamadi, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Zanjan, na China, diz que o consumo máximo de vitamina C natural pode fortalecer o sistema imunológico e combater o novo coronavírus. Segundo o texto, o microrganismo seria resultado de uma fusão entre os genes de cobra e de morcego. A mensagem ainda indica que o consumo de limão quente (rodelas colocadas em água quente) poderia proteger e até salvar a vida de quem contraiu o novo vírus respiratório.

Há várias informações erradas no texto que comprovam se tratar de uma fake news. A primeira e mais básica delas é a origem da mensagem: a Universidade de Zanjan fica no Irã e não na China. A segunda é de que não há ainda nenhuma comprovação de que o vírus foi transmitido por animais. As formas de transmissão, segundo a OMS, ainda estão sendo investigadas e a história de uma fusão de genes de uma cobra com um morcego causa desconfiança por si só.

No dia 2 de março, o Ministério da Saúde publicou em sua página oficial um alerta sobre a notícia: “não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico milagroso ou vacina que possa prevenir a doença”. O infectologista Hélio Bacha reitera que a medicina atua com base em evidências científicas e todo excesso faz mal. O consumo exagerado de qualquer substância é prejudicial à saúde. No caso da vitamina C, ela pode provocar cálculos renais e distúrbios gastrointestinais.

MMS – Os minerais milagrosos

Não é a primeira vez que os MMS (sigla para: Solução Mineral Milagrosa ou Suplemento Mineral Milagroso) estão sendo relacionados a cura de doenças. Já aconteceu com o câncer e o autismo. Agora, estão sendo associados à prevenção e cura do novo coronavírus.

Composta por dióxido de cloro, muito usado em alvejantes para tratamento de água, como a água sanitária, o produto não possui nenhuma propriedade medicinal e seu consumo pode até matar, de acordo com a Anvisa. O órgão informa ainda que a produção, distribuição, comercialização e divulgação do falso medicamento nunca foram permitidos no Brasil.

Uso de produtos químicos para as mãos

A medida em que o álcool gel está ficando escasso nas prateleiras dos mercados e farmácias, receitas de desinfetantes caseiros e indicações do uso de produtos de limpeza para higiene das mãos e até de bebidas alcoólicas (como cachaça e vodca) começaram a pipocar na internet. Lavar as mãos com água e sabão é suficiente para manter as mãos higienizadas e reduzir as chances de propagação do coronavírus e outros vírus respiratórios, como o H1N1.

O contato com produtos químicos sem proteção pode causar lesões de pele, sendo o ressecamento o mais comum. Além disso, o uso de bebidas alcoólicas para limpeza não é eficaz.

Beber água potável a cada 15 minutos

É consenso que o consumo de água é fundamental para o a saúde e bom funcionamento do corpo. Entre suas funções estão a regulação da temperatura do corpo e a absorção, transporte e distribuição de nutrientes para diversas partes do organismo. No entanto, postagens em redes sociais citam que um médico japonês recomenda a ingestão de água a cada 15 minutos para eliminar qualquer vírus por meio da urina e do suor. Bobagem. O novo coronavírus não pode ser eliminado pela urina ou suor.

Beber água quente e tomar sol

Algumas postagens dão conta ainda de que ingerir água quente e tomar sol são capazes de matar o novo coronavírus. “Mais uma bobagem da internet, mesmo porque a temperatura do corpo humano varia entre 36ºC e 37ºC. Não há nenhum estudo que comprove que o calor mate o vírus. Mas, se matasse, ele teria tempo suficiente de contaminar pessoas e causar a covid-19. Para qualquer vírus respiratório, temperaturas mais frias propiciam a transmissão. Isso acontece porque as pessoas ficam mais aglomeradas e os lugares menos arejados, facilitando a transmissão da doença. As informações são do UOL.

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