Exército russo se aproxima da maior usina nuclear da Europa

O prefeito da cidade ucraniana de Energodar disse, nesta quinta-feira, que uma coluna de tropas russas estava indo em direção à usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, instalada no Sudeste da Ucrânia.

“Tiros altos podem ser ouvidos na cidade”, disse o prefeito Dmytro Orlov em um post on-line.

Pela manhã, as agências internacionais informaram que as tropas russas tinham avançado até 35 km da usina Zaporíjia, entrando em confronto com ucranianos em Voznesenk, a cerca de 30 km de distância, ainda na quarta-feira.

— Se a situação piorar, será impossível pensar no que acontecerá se eles começarem a bombardear. Eles simplesmente não sabem o que estão fazendo — disse o chefe interino da empresa nuclear estatal ucraniana Energoatom, Petro Kotin, acrescentando que não acredita que os russos tenham recebido ordens para fazer um ataque às usinas.

A Rússia já capturou a extinta usina de Chernobyl, a cerca de cem quilômetros ao norte da capital da Ucrânia, Kiev, numa operação que Kotin qualificou de “terrorismo nuclear”.

Kotin informou ter pedido ao Organismo Internacional da Energia Atômica (OIEA), vinculado à ONU, que revise seu relacionamento com a Rússia, ajude a criar um perímetro de proibição de 30 quilômetros das usinas para as forças russas, bem como pressione para que a Otan estabeleça uma zona de exclusão aérea sobre o país, segundo o documento visto pela Reuters.

A OIEA disse que está trabalhando com todas as partes para determinar como pode efetivamente fornecer assistência.

Os EUA e seus aliados da Otan rejeitaram o pedido da Ucrânia de impor uma zona de exclusão aérea sobre o país, argumentando que isso levaria a um confronto direto com a Rússia.

A Rússia descreve suas ações na Ucrânia, que começaram em 24 de fevereiro, como uma “operação especial” que, segundo ela, não foi projetada para ocupar território, mas para destruir as capacidades militares do seu país vizinho e capturar o que considera nacionalistas perigosos.

Kotin disse que as tropas russas queriam que as forças locais se rendessem para que pudessem assumir o controle das áreas vizinhas e da usina.

— A usina Zaporíjia continua funcionando normalmente. Não há desvio das operações normais — disse ele sobre a usina de 6.000 megawatts.

Do O Globo.