Ex-gerente da Petrobras revela que começou a receber propina no governo de FHC

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    O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco afirmou nesta terça-feira (10) que começou a receber propina entre 1997 e 1998, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por “iniciativa pessoal”. As declarações foram dadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), presidida pelo deputado federal paraibano Hugo Motta (PMDB), que investiga irregularidades na estatal apontadas pela Operação Lava Jato.

    “Iniciei a receber propina em 1997 e 1998. Foi uma iniciativa pessoal, junto com o representante da empresa. De forma mais ampla, [receber propina] foi a partir de 2004, não sei precisar a data, mas foi a partir dali”, declarou Barusco.

    Segundo Barusco, a partir de 2003 ou 2004 o pagamento de propina se tornou “institucionalizado”. Ele, no entanto, se recusou a dar mais explicações se outras pessoas também recebiam propina desde a década de 1990, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

    “Sobre essa questão, existe uma investigação em curso, eu sou investigado. Essa é uma parte que eu vou me ater ao depoimento. Não vou aprofundar, porque está ocorrendo uma investigação”, disse o ex-gerente da Petrobras.

    O PT tem tentado incluir o governo FHC nas suspeitas sobre o pagamento de propina para tentar reduzir o desgaste do governo causado pelas irregularidades na Petrobras. A própria presidente Dilma Rousseff (PT) mencionou a delação de Barusco, que já havia admitido que recebeu propina em 1997.

    Por isso, membros da CPI, inclusive o relator Luiz Sérgio (PT-RJ), defendeu a convocação do ex-gerente para ampliar o tempo de investigação do colegiado.

    Barusco é a primeira testemunha ouvida pela CPI. Ele fez acordo de delação premiada e afirmou que o PT recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina. No depoimento de hoje, ele disse que os valores são uma estimativa.

    “Como o PT, na divisão da propina, cabia a ele receber o dobro ou um pouco mais, eu estimava que ele poderia ter recebido o dobro. Se eu recebi, porque os outros não teriam recebido?”, ironizou Barusco.

    O ex-gerente da Petrobras também afirmou que os protagonistas do esquema eram o ex-diretor de Serviços Renato Duque, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e ele. Os dois têm negado as acusações.

    De acordo com o ex-gerente, os valores das propinas debatidos com Vaccari. “Isso cabia ao João Vaccari gerenciar. Ele que era responsável. Não sei como ele recebia, para quem ele distribuía, se era oficial, extra-oficial. Cabia a ele naquele percentual uma parte”. Ele também disse que teve alguns jantares com o tesoureiro.

    Barusco afirmou ainda que receber propinas foi um “caminho sem volta” que a princípio foi uma alegria, mas depois chegou a “um desespero”. Segundo o ex-gerente, colaborar com as investigações “é um alívio”.

    Ele disse que irá repatriar todo o valor recebido no exterior como propina. Barusco também se disse arrependido de ter participado do esquema. O relator disse então: “o crime não compensa”.

    A sessão é pública, mas os deputados não podem fazer perguntas sobre a sua vida pessoal ou sua família a pedido de Barusco.

    Mais cedo, foi anunciado que o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai prestar esclarecimentos à CPI na próxima quinta-feira (12). Ele é um dos parlamentares que será investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de participação do esquema de corrupção e desvio de dinheiro da estatal.

    Durante a sessão, membros da CPI defenderam que os parlamentares Lázaro Botelho (PP-TO) e Sandes Júnior (PP-GO), que também serão investigados pelo STF por suposto envolvimento no esquema, deixem o colegiado que foi criado para apurar as irregularidades.

    Membros da CPI ameaçaram ir à Justiça e à corregedoria da Câmara para que deputados citados nos inquéritos abertos no STF sejam afastados da comissão.

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    Antares

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