Estudo francês que recomendava hidroxicloroquina é retirado do ar

Autores concluíram que essas drogas não devem ser utilizadas para tratar a covid-19 fora dos ensaios clínicos

Os pesquisadores do Hopital Raymond Poincare, na França, retiraram do ar a pré-publicação do estudo que apontava que o tratamento com hidroxicloroquina e azitromicina é eficaz para reduzir o número de mortes por covid-19.

A equipe liderada pelo médico Benjamin Davido foi uma das primeiras a defender o uso do medicamento para combater o novo coronavírus. No entanto, o trabalho científico francês foi muito criticado desde o início devido ao pequeno número de pacientes avaliados (cerca de 30) e por ter retirado da análise pacientes com covid-19 que morreram ao longo do estudo —o que alterou o percentual de “cura” do resultado final.

Além disso, o estudo não foi publicado em um periódico científico (teve apenas sua pré-impressão divulgada) nem certificado pela revisão de pares —ou seja, não foi avaliado por outros cientistas e, portanto, não deve ser usado para orientar a prática clínica.

O resumo da pré-publicação do estudo foi substituído pelo texto:

“Os autores retiraram este manuscrito e não desejam que seja citado. Devido à controvérsia sobre a hidroxicloroquina e à natureza retrospectiva de seu estudo, eles pretendem revisar o manuscrito após a revisão por pares.”

A decisão dos cientistas franceses após o do maior estudo feito com a hidroxicloroquina até o momento comprovar que o medicamento não é eficaz para tratar a covid-19 e ainda aumenta o risco de morte de pacientes infectados com coronavírus.

Publicado no último dia 22 na conceituada revista médica The Lancet, o estudo avaliou mais de 96 mil pacientes. Desses, 14.888 receberam hidroxicloroquina ou cloroquina, com ou sem antibiótico, e 81.144 pacientes não passaram por nenhum dos tratamentos. A conclusão foi que o uso desses dois medicamentos aumentou o risco de morte por problemas cardíacos.

Os autores concluíram que essas drogas não devem ser utilizadas para tratar a covid-19 fora dos ensaios clínicos até que os resultados deles estejam disponíveis para confirmar a segurança e a eficácia para pacientes com a infecção.

Do Uol.

 

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