
O Ministério da Saúde anunciou a incorporação do implante subdérmico de etonogestrel, conhecido comercialmente como Implanon, à rede pública de saúde. Considerado um dos contraceptivos mais modernos e eficazes, o Implanon previne a gravidez por até três anos e possui eficácia superior a 99%. A medida deve beneficiar especialmente mulheres de em situação de vulnerabilidade, ampliando o acesso a métodos anticoncepcionais de longa duração.
Para o Dr. Guilherme Carvalho (CRM 7011-PB), ginecologista, obstetra e CEO do Instituto de Saúde Integrada da Mulher – Instituto Sim, a iniciativa representa um importante avanço na democratização do planejamento familiar. Especialista em reprodução humana pelo Hospital Sírio-Libanês, ele ressalta que a disponibilidade do implante na rede pública amplia as escolhas seguras para quem não tinha acesso a métodos desse tipo. “O Implanon já é utilizado há muitos anos em clínicas privadas com resultados muito positivos. O fato de estar disponível agora na rede pública amplia o leque de opções seguras e eficazes para mulheres que, muitas vezes, não conseguem custear métodos de longa duração”, afirma o médico.
Atualmente, o dispositivo custa entre R$2 mil e R$4 mil na rede particular, mas já está sendo oferecido sem custo pelo SUS em todo o país. Segundo Dr. Guilherme, o Implanon traz diferenciais importantes em relação a outros métodos contraceptivos pela sua praticidade e alta adesão. “Ele é inserido sob a pele do braço da paciente, com aplicação rápida e praticamente indolor. Uma vez implantado, não exige manutenção ou controle diário, o que reduz falhas comuns em métodos como a pílula, que depende da disciplina da usuária”, explica o especialista.
Outro benefício destacado pelo médico é o impacto do novo método na redução da mortalidade materna e na saúde da mulher a longo prazo. Quando as pacientes podem decidir se e quando querem engravidar, aumentam as chances de vivenciar uma gestação saudável e segura, evitando riscos desnecessários . “O planejamento reprodutivo é um pilar da saúde feminina. Quando a mulher pode escolher o momento de engravidar, ela tem mais chances de ter uma gestação tranquila. Isso contribui diretamente para a diminuição de riscos obstétricos, especialmente em populações mais vulneráveis”, avalia Dr. Guilherme . A iniciativa, inclusive, alinha-se às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que preveem reduzir em 25% a mortalidade materna até 2027.
A oferta do Implanon no SUS teve início no segundo semestre de 2025, com a publicação de portaria e o treinamento de equipes de saúde para sua implantação segura. Médicos e enfermeiros passaram por capacitação para realizar a inserção e a remoção do implante, procedimento que pode ser feito em unidades básicas de saúde por profissionais habilitados. Dr. Guilherme reforça que o método é seguro e totalmente reversível. “Caso a paciente deseje engravidar antes dos três anos, basta retirar o implante, e a fertilidade é retomada rapidamente. É uma excelente escolha para quem busca autonomia e segurança”, conclui o médico.