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Política

Em nota, vereadora pede respeito e respostas às denúncias contra a Funjope

A vereadora Sandra Marrocos (PSB) não vai se calar com as denúncias que tem feito sobre supostas irregularidades da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) com relação ao pagamento de cachês e contratos de artistas.

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A parlamentar divulgou uma nota nesta quarta-feira (26) afirmando que não vai se trocar com o diretor-presidente Maurício Burity, ao mesmo tempo em que pede respostas às denúncias feitas de calotes e valores pagos inferiores aos que foram prestados conta com Portal da Transparência.

Ontem, o diretor presidente da Funjope, Maurício Burity, declarou que “não vai se trocar com a vereadora porque tem nome e sobrenome”.

Confira abaixo a nota na íntegra.

Em resposta às declarações feitas pelo Diretor Presidente da FUNJOPE, Maurício Burity, na tarde desta terça-feira (25), no programa “Rádio Verdade”, da rádio Arapuan, venho, através desta nota, esclarecer alguns pontos proferidos pelo tal gestor.

Uma pessoa que tem capacidade de desqualificar minha origem popular e de dizer que eu não mereço respeito, só demonstra que nível possui. Infelizmente, ética e valores não vêm com sobrenomes “tradicionais”. Mas não vou me igualar ao seu nível. Responderei os absurdos ditos pelo senhor, sem qualquer fundamentação, com respeito e maturidade política, porque a gente só dá o que tem.

Inicio dizendo que eu também não quero me trocar com você. Eu quero RESPOSTAS INSTITUCIONAIS da pasta pública que o senhor é gestor sobre denúncias que eu formulei na Tribuna da Câmara, como vereadora legitimamente eleita, no uso das minhas atribuições democráticas e fiscalizatórias.

Algumas dessas denúncias chegaram até mim durante o período eleitoral, mas, por entender que tratava-se de um momento delicado, preferi fazê-las agora. Eu estou eleita, não preciso conquistar o voto de ninguém, de nenhum sambista ou grupo de samba. Faço porque tenho compromisso com a cultura e com a fomentação aos grupos culturais em nossa cidade. Minha história é a prova viva de que não tenho medo de pautar qualquer demanda, não me guio por eleições ou questões eleitoreiras e mesquinhas. Tenho profundo respeito por todos os atores culturais, que com muita dificuldade, vivem de cultura em nosso país. Meu apoio e minha voz eles sempre terão!

Não é preciso participar ativamente da cena cultural de João Pessoa para saber que temos cerca de seis Escolas de Samba em nossa cidade, construídas nos bairros tradicionais há muitos anos e com muitas dificuldades, porque a FUNJOPE, inclusive, tirou verbas do Carnaval Tradição. Como é que eu, junto com meu genro, sou proprietária do Coletivo do Samba que, segundo o citado gestor, comporta mais de quinze Escolas e agremiações?

Não gostaria de adentrar nesse aspecto da minha vida privada, mas o companheiro da minha filha, citado de forma totalmente descontextualizada e irresponsavelmente por Maurício Burity, estuda música desde os seis anos de idade. Já tocou e fez participações em todas as Orquestras da Paraíba, é formado em Música pela UFPB, tem mestrado, publicações e uma trajetória acadêmica e profissional. Foi -e é!- constantemente convidado por vários grupos e artistas, não só de samba, mas de chorinho, instrumental, MPB, forró, baião e outras manifestações musicais. Fez um show solo a convite do SESC, por ver reconhecida sua trajetória enquanto instrumentista, e participou de uma turnê em quase todos os estados do Brasil, convidado por seus antigos professores da universidade, que reconhecem seu esforço e competência. Já foi professor convidado do Festival Internacional de Música Clássica de Campina Grande e apresentou-se como solista em algumas ocasiões.

Renan sempre foi muito dedicado e nunca precisou de artifícios escusos para ocupar espaços no seu âmbito profissional. Tenha mais respeito pela trajetória das pessoas e busque se informar melhor antes de associá-las a práticas absurdas e infundadas. Por tocar em muitos grupos, ele também compõe o Pura Raiz, banda de samba com mais de vinte anos de estrada, que junto com o cantor Mirandinha, integram Coletivo do Samba.

O Coletivo do Samba é um projeto que se apresenta todo primeiro sábado de cada mês no Recanto da Cevada, trazendo sempre dois convidados/as, uma mulher e um homem, visando fomentar a cena do samba na cidade. Eu não sou dona do projeto, apenas apoio esse belíssimo espaço de convergência, porque, infelizmente, os artistas da cidade carecem de apoio e respeito. Jamais me intitularia dona de um projeto de música e samba, se nem musicista eu sou. Quem faz acontecer são os meninos, músicos do mais alto gabarito, que traçam suas trajetórias há muitos anos e são PRONFUNDAMENTE RESPEITADOS por todo o movimento do samba na Paraíba e fora dela.

Ressalte-se que o Pura Raiz, banda base do projeto, não tocou no Sabadinho Bom uma única vez na gestão de Luciano Cartaxo. Dessa forma, como iriam se prejudicar se eles já não participavam? Meu genro é instrumentista e toca chorinho e, dessa forma, não iria se prejudicar em absoluto pelo fato de ter retirado o samba da programação.

Não me guio e nunca me guiei por interesses pessoais. Tenho uma história LIMPA. Tenho coerência e caráter.  Denuncismo, Maurício Burity, é o que você fez, ao citar minha vida pessoal e envolver meu genro, que estava no movimento como artista, instrumentista e músico.

Minha posição como parlamentar é de fiscalizar, apurar as denúncias e utilizar a Tribuna com responsabilidade. Foi o que fiz. As denúncias não são minhas, pertencem aos artistas e encontraram minha voz para serem visibilizadas.

Para encerrar esse longo, mas necessário texto, informo que tenho provas de que tentei, inclusive através do vereador Marcos Antonio, que é líder da situação e por quem eu tenho muito respeito, diga-se de passagem, sentar com Maurício Burity pessoalmente para dialogarmos sobre as questões levantadas. Está gravado no plenário da TV Câmara a fala do vereador, que diz não ter conseguido contato com o citado gestor. O ofício que protocolamos semanada passada, pedindo informações à FUNJPE, não foi, sequer, respondido!

Sou filha de um trabalhador rural e de uma funcionária pública, lá do alto sertão da Paraíba, com muito orgulho. Minha família fugiu da seca e da fome, veio pra João Pessoa quando eu tinha dez anos. Tive que batalhar muito pra conseguir estudar, me formar e construir minha trajetória política. De fato, não venho de uma família tradicional. Minha mãe e meu pai, com ajuda das minhas irmãs mais velhas, criaram-me com muito suor, mas com muitos valores e princípios. Uma família simples, humilde, com muita ética e honestidade.

O senhor não foi republicano, não fez jus ao seu cargo, ao seu nome e ao seu sobrenome. Atacou-me da forma mais mesquinha possível e ainda disse que eu não merecia respeito. Mereço respeito sim, Maurício. Todas as pessoas merecem. Todas as mulheres merecem. E todo mundo tem nome e sobrenome.

Apesar da sua postura hostil e desrespeitosa, não fujo do debate e não fujo do diálogo. Estou pronta e à disposição para fazer política com P maiúsculo, discutindo e buscando soluções para os problemas coletivos vivenciados na nossa cidade. Como vereadora, é o meu dever.

Atenciosamente,

Sandra Marrocos. 

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Redação Paraíba Já

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