Atualmente, a capacidade de eólica instalada na Paraíba, com 15 parques, pode gerar energia para atender 22% da população do Estado, ou seja, 870 mil pessoas. Até 2023, com a implementação de outros 12 projetos de parques contratados, a capacidade energética instalada será correspondente a 52,18% da população, o que ainda é pouco perto do estado vizinho. O líder em produção eólica é o Rio Grande do Norte, que tem uma capacidade instalada 22,5 vezes maior, totalizando 3,5 GW, o suficiente para abastecer um terço da Região Nordeste, ou seja 19,6 milhões de pessoas.

A Paraíba, em sua capacidade máxima, pode produzir apenas 4,42% do que o Rio Grande do Norte, com 157,2 MW. O estado vizinho, após perceber que a energia eólica pode acabar com a falta de energia nos lugares mais distantes sem a necessidade de implantação de linhas de transmissão, investiu pesado a partir de 2010.

Na Paraíba, são 15 parques eólicos em operação gerando 157 MW de capacidade instalada, sendo que 12 deles estão localizados no município de Marataca, dois em São João do Sabugi e um em Santa Luzia. Mais 12 parques já estão contratados no Estado (projetos que foram arrematados nos últimos leilões de energia e que entrarão em fase de construção), podendo fazer a capacidade chegar a 371,4MW – total que esses parques vão gerar quando estiverem operando comercialmente, entre 2019 e 2023.

Segundo o mapeamento da Iberdrola, e divulgado ano passado pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

Vento

O que pode atrapalhar os planos é um projeto de cobrança de royalties sobre o vento, que também poderia afetar o crescimento da energia solar, que também poderá ser tributada.

Organizar melhor a cadeia produtiva

Para o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, a Paraíba tem um grande potencial a desenvolver, tanto em eólica quanto em solar. “O Estado precisa certamente organizar melhor algumas diretrizes e instrumentos para o desenvolvimento de uma cadeira produtiva mais consistente, mas acho que tanto o Governo do Estado quanto os setores empresariais locais têm se movimentado bem a respeito”, diz.

Segundo ele, existem fatores locais relacionados a licenciamentos socioambientais, relacionamento com as cidades e comunidades, agilização e apoio a operações logísticas, entre outros, que podem ser muito ajudados pela ação estadual. “Além, é claro, do acompanhamento setorial e promoção do Estado como destino de investimentos nesta área”, finaliza.

Ele considera que o que pode impedir a evolução é a cobrança de royalties do vento. Segundo a proposta de emenda constitucional do deputado Heráclito Fortes, do PSB do Piauí, “o vento é um recurso que pertence a todo o povo brasileiro e é justo que os benefícios econômicos dessa atividade sejam compartilhados”.

O texto também afirma que as fazendas eólicas ocupam vastas áreas que limitam a realização de outras atividades econômicas, como o turismo, o mesmo acontecendo com a energia solar.

Brasil já ultrapassa o Canadá

O Brasil ultrapassou o Canadá no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica em 2017, passando a ocupar a oitava posição, de acordo com levantamento feito pelo Global World Energy Council (GWEC) e divulgado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

No ano passado, foram adicionados 52,57 gigawatts (GW) de potência de energia eólica no mundo, chegando a uma capacidade instalada total de 539,58 GW.

O Brasil acrescentou 2,022 GW de potência eólica ano passado, chegando a 12,763 GW e, em fevereiro, alcançou os 13 GW (o suficiente para abastecer 24 milhões de residências por mês), quase a mesma quantidade de energia que a Usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do Brasil, gera (14 GW). O primeiro lugar segue com a China, que acrescentou 19,5 GW ano passado e chegou a 188,232 GW de capacidade instalada da fonte eólica.

Segundo a Abeeólica, até 2020, considerando os contratos já assinados e os leilões realizados, a capacidade instalada de energia eólica do país vai chegar a 18,63 GW. Com os novos leilões, a tendência é que o número cresça.

Utilização da fonte começou em 92 no País

A energia eólica no país começou em 1992, com o início da operação comercial do primeiro aerogerador instalado no Brasil, fruto de uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE) e a Companhia Energética de Pernambuco (CELPE), por meio de financiamento do instituto de pesquisas dinamarquês Folkecenter. Essa turbina eólica, de 225 kW, foi a primeira a entrar em operação comercial na América do Sul, localizada no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco.

Atualmente, o RN tem 133 parques eólicos em operação comercial com potência instalada total de 3.582 GW, o que representa 84,76% de todo o estado. Há também seis usinas fotovoltaicas, num total de 117,10 MW e ainda 32 usinas termelétricas. Há 19 parques eólicos sendo construídos no RN, totalizando 468 MW e 13 projetos eólicos contratados (somando 330,3 MW em potência instalada) prestes a começarem suas obras.

O Rio Grande do Norte fechou 2017 na liderança da produção eólica no país, com 1.455,3 MW med de energia entregues no ano passado, incremento de 20,7% em relação ao mesmo período de 2016.

Os dados confirmaram ainda o Estado com a maior capacidade instalada, somando 3.548,65 MW, aumento de 11,5% em relação a 2016.O RN é líder nacional em potencia instalada e geração eólica.

Érico Fabres do Correio da Paraíba

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