Corregedoria Nacional do Ministério Público decide investigar Dallagnol

A Corregedoria Nacional do Ministério Público vai investigar as palestras dadas pelo procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, em Curitiba. A decisão, assinada pelo corregedor Orlando Rochadel Moreira, acata pedido feito em uma representação encaminhada pelo PT ao Conselho Nacional do Ministério Público.

O texto determina a instauração de reclamação disciplinar e dá prazo de 10 dias para que Dellagnol e Roberson Pozzobon se manifestem sobre o assunto.

O despacho cita mensagens trocadas entre membros do Ministério Público Federal integrantes da força-tarefa da Lava Jato que revelam que “eles teriam se articulado para obter lucro mediante a realização de palestras pagas e obtidas com o uso de seus cargos públicos”.

“Tais palestras teriam se dado em parceria com empresas privadas, com quem dividiram os valores”, diz o texto.

A afirmação se refere às mensagens obtidas pelo site The Intercept e analisadas em conjunto com a Folha de S.Paulo. Segundo o conteúdo, veiculado no último domingo (14), Dallagnol montou um plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações do caso de corrupção.

Em um chat sobre o tema criado no fim de 2018, Deltan e um colega da Lava Jato discutiram a constituição de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas.

A ideia de criar uma empresa de eventos para aproveitar a repercussão da Lava Jato foi manifestada por Deltan em dezembro de 2018 em um diálogo com a mulher dele.

No mesmo mês, o procurador e o colega dele na força-tarefa da Lava Jato Roberson Pozzobon criaram um grupo de mensagens específico para discutir o tema, com a participação das esposas deles. As informações são da colunista Mônica Bergamo.

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